Retirada de famílias causa grande tumulto
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Da Redação 
A retirada das famílias de sem-teto das casas de fibrocimento do conjunto Ilda Mandarino começou por volta das 8 horas com grande tumulto. A família do pedreiro autônomo Nelson Alves de Oliveira, 42 anos, que ocupava a primeira casa desocupada, entrou em pânico e uma ambulância do Transporte Emergencial Centralizado (TEC) foi chamada para socorrer a mulher, grávida de 9 meses e uma menina de 10 anos, que tem problemas cardíacos.
Célia e Nelson de Oliveira têm quatro filhos. Eles moravam no jardim do Sol, mas não conseguiram mais pagar aluguel. Nós não temos para onde ir, reclama o pedreiro. Eles só deixaram a casa depois que o advogado da construtora Grande Piso Revestimentos, Marco Antonio Campanelli, garantiu que, se necessário, a mulher e as crianças seriam atendidas em um hospital particular da Cidade, com todas as despesas pagas pela empresa.
Até o início da tarde, apenas três casas tinham sido desocupadas. A retirada dos móveis foi interrompida por quase duas horas para que os advogados da construtora tentassem um acordo com a Cohab. Mas o advogado Marco Aurélio Celanco não conseguiu fazer contato os com diretores da companhia. Ele disse que a idéia era firmar um acordo com a Prefeitura para que esta se responsabilizasse pelas casas.
A ausência de representantes da Prefeitura e da Cohab ontem de manhã, no Ilda Mandarino, revoltou os sem-teto e os advogados da construtora. Marco Antônio Campanelli ameaçou despejar os móveis dos sem-teto na frente da Prefeitura. A Prefeitura é a responsável por eles, disse o advogado. Se as denúncias contra os diretores da Cohab forem comprovadas, Campanelli disse que a construtora iria entrar com uma ação de indenização contra o município.
O vereador Célio Guergoletto (PMDB) também reclamou da falta de respeito da Cohab em não acompanhar a retirada dos sem-teto. Ele convenceu os advogados da construtora a interromper novamente o despejo dos moradores para que os vereadores se reunissem ontem à tarde na Câmara com representantes da Cohab para estudar um local onde instalar as famílias.
A Polícia Militar enviou 30 homens, que apenas acompanharam a retirada das famílias, sem intervir em nenhum momento.
(Adriana de Cunto)


