Londrina - Segundo Maria Nilza da Silva, coordenadora do Leafro, as ações direcionadas à educação têm tido resultados práticos. Ela comenta que no início do ano uma parceria com o Núcleo Regional de Educação e a Secretaria Municipal de Educação culminou em uma orientação para cerca de 250 professores e diretores de escolas em relação à importância da Lei 10.639.
"É uma lei que as escolas têm que cumprir, mas muitas professores não se especializaram ou dominam a temática. O racismo e as manifestações das diferenças raciais no ambiente escola são temas complexos e muitos ainda não sabem lidar com isso. É um processo que a escola tem que passar aos alunos, mas ela própria tem que aprender", defende.
Maria Nilza ainda salienta que existe uma ideologia muito poderosa no Brasil de que o negro não tem nada para oferecer de bom e isso reflete em uma certa resistência, muitas vezes da própria escola para adotar conteúdos.
"A lei incentiva e propõe uma mudança de mentalidade. Ainda é um desafio e temos que romper algumas barreiras. A começar por acreditar que a população negra tem muito a nos ensinar. Por isso, nosso trabalho é refletir e disseminar esse conhecimento para escolas e sociedade em geral", completa.
A professora Eliane Cristina de Oliveira, da Escola Municipal Zumbi dos Palmares, na zona sul de Londrina, afirma que em geral os materiais didáticos são muito pobres em relação ao conteúdo afro e, por isso, os professores têm o papel de estimular os alunos a buscar informações.
"Tem que aproveitar uma curiosidade ou interesse da turma. Meus alunos, por exemplo, queriam muito assistir o filme Madagascar, que se passa na África e mostra a diversidade da fauna através dos personagens animais. Parti desse interesse, juntei outros pontos a serem desenvolvidos e dei início a um projeto sobre a África", conta a professora do 3º ano.
Em cada aula, a professora utiliza a literatura infantil, contos, receitas e até dados curiosos para despertar a atenção dos alunos. Já o estímulo de Eliane se deu após uma capacitação com o Leafro. "Sempre trabalhei o conteúdo como uma sequência didática. Dessa vez não. Começamos a estudar o tema em agosto e vamos terminar em novembro, no dia de Zumbi dos Palmares. Estamos englobando a temática em disciplinas como história, geografia e português, mas até o final pretendo também trabalhar a matemática por meio da comparação do sistema monetário do Brasil e África", diz. (M.O.)

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