Resultado de pesquisa causa preocupação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Espanto e indignação pode ser o resumo da reação de muitos brasileiros diante dos números revelados ontem pela pesquisa 'Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar', realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A pesquisa feita em 501 escolas públicas de todo o país, com mais de 18,5 mil entrevistados, revelou que 99,3% dos alunos, pais, mães, diretores, professores e funcionários têm algum tipo de preconceito étnico-racial ou socioeconômico com relação a pessoas com deficiência, gênero, geração, orientação sexual ou territorial. Destes, 96,5% têm preconceito com relação a pessoas com deficiência intelectual.
Para a secretária municipal de Educação, Vera Lúcia Scortecci Hilst, o número causou impacto. ''Isso mostra que embora trabalhemos constantemente com o problema, não temos o retorno esperado. Mais do que nunca precisamos continuar insistindo na aceitação dos deficientes, para que não se torne apenas uma ideologia'', diz. Segundo ela, cerca de 2 mil alunos estão matriculados em programas especiais na rede.
Para a coordenadora técnica pedagógica do Núcleo Regional de Londrina, Rosana Lopes, a pesquisa parece refletir o que ocorre nas escolas do Estado. ''O Estado conta com várias políticas que incluem a discussão com os docentes e alunos em sala de aula.''
Entidades que trabalham com pessoas com deficiência também ficaram assustadas com os números. A coordenadora pedagógica da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down), Solange Cremasco, comenta que apesar do alto número, a situação vem melhorando bastante.
''Antigamente, as escolas não aceitavam acolher os alunos com deficiência. Mas hoje percebemos uma disposição e um preparo melhor. Até mesmo pelo trabalho que as entidades realizam junto à comunidade. A APS Down dá apoio pedagógico às escolas para capacitar os professores e faz divulgação de como lidar com a deficiência com palestras e panfletos'', observa.
Trabalho semelhante realiza a Associação dos Pais e Amigos dos Excepecionais (Apae) de Londrina. De acordo com a diretora da entidade, Irene Frutuoso, o número não choca, mas preocupa. ''Essa realidade de preconceito já mudou muito, mas ainda existe muita discriminação.'' Cerca de 30 alunos da Apae estudam em escolas regulares.
Já a assistente social do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), Gláucia Sorgi, admite não ter um retorno dos pais sobre o assunto, mas que regularmente são feitas discussões a fim de reverter esse quadro. ''Defendemos que as escolas tenham condições de receber esse aluno; que estejam preparadas com o mínimo de estrutura.''
A massagista Cristina Pelisser, que tem um filha com Síndrome de Down, se disse espantada com o resultado da pesquisa. ''Isso me angustiou bastante, porque não percebo isso com minha filha. Aonde quer que eu vá, nunca vi pessoas comentando ou tendo uma reação ruim com a presença dela.'' Para Cristina, o preconceito depende muito de como o assunto é trabalhado em sala de aula. (Colaborou Fernanda Borges)


