Alexandre Sanches

Dorico da SilvaDescontentamentoParte dos candidatos que prestaram concurso público afirma que irregularidades ocorreram nas provas e nas contrataçõesUm grupo de candidatos que prestou concurso público para admissão na prefeitura de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina) está denunciando irregularidades que vão da organização do exame, no final de novembro do ano passado, à contratação dos novos funcionários. Maria do Carmo Aguiar Macedo, 34 anos, Maria Rutzatz da Silva, 22 anos, e Ulisses Leonardo Ferreira, 19 anos, são alguns dos candidatos que não concordam com o processo seletivo.
Maria do Carmo, que prestou concurso para o cargo de auxiliar de escritório, possui o 2º grau e cursos profissionalizantes, não concorda com a contratação de um funcionário que tem somente o 1º grau. ‘‘Este candidato tirou nota máxima. Na prova de títulos, um certificado de corte e costura deu mais pontos que o meu de datilografia. E todos na cidade sabem que esta pessoa não teria condições para passar no concurso’’, afirma, evitando citar o nome do funcionário.
Maria Rutzatz da Silva afirma que o concurso serviu somente para regularizar a situação de pessoas que foram contratadas irregularmente no início da administração do prefeito Nelson Gonçalves Correa (PL). ‘‘O incrível é que todos os funcionários aprovados no concurso já trabalhavam na prefeitura. Não posso ficar quieta, pois pagamos R$ 15,00 de inscrição e não nos dão direito à revisão das provas’’, argumenta.
Maria Silva passou em 29ª colocação, havendo 30 vagas para professores de 1ª a 4ª série. ‘‘Eles contrataram somente 12 pessoas e disseram que não vão mais contratar ninguém. Mas no edital constavam 30 vagas e, como constou que eu fui aprovada, quero ter o direito a minha vaga’’.
Sem ter recorrido na época, os candidatos afirmam que, durante o exame escrito, houve casos de pessoas que trocaram a prova. O resultado final foi divulgado em edital na semana passada, mas o grupo garante que funcionários que foram aprovados haviam sido efetivados no cargo uma semana antes do resultado oficial.
‘‘A gente não tem a quem recorrer. Já procuramos os vereadores, mas eles tiram sarro na nossa cara, fazendo pouco caso da gente. Eles dizem ‘você perdeu ponto para fulano? Não acredito’. E não tomam nenhuma providência’’, disse uma candidata que preferiu não se identificar, temendo represália.
O prefeito Nelson Gonçalves Correa (PL) disse que o concurso é de responsabilidade da empresa que foi contratada para o exame. ‘‘O concurso foi para legalizar as contratações na prefeitura, pois este ano não posso mais ter ninguém sem concurso público. A prefeitura só cedeu o colégio para as provas. O organizador é quem fez as inscrições, recolheu as taxas e elaborou as provas. Se alguém tem que responder é ele’’, esquivou-se, afirmando que há ex-funcionários da prefeitura que foram reprovados no concurso.
O secretário de Administração da prefeitura, Claudinei Zeldério, disse que as denúncias são infundadas. Ele questiona como os candidatos conseguiram obter as notas da prova de títulos. ‘‘Nem nós na prefeitura conseguimos as notas em separado. Também temos provas de que nenhum funcionário foi contratado ainda. A lista das pessoas que serão chamadas a compor o nosso quadro de pessoal e o total de vagas que serão utilizadas ainda não foram divulgados’’, enfatizou.
Sobre os funcionários da prefeitura que foram aprovados em primeiro lugar, Zeldério disse que não tem como tirar a capacidade destas pessoas. Mas garante que quem se sentir lesado pode entrar com recurso na Justiça que a prova será analisada.

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