A merenda servida a Lorenzzo Caetano, diagnosticado com diabetes tipo 1, está entre as que exigem cuidados especiais
A merenda servida a Lorenzzo Caetano, diagnosticado com diabetes tipo 1, está entre as que exigem cuidados especiais | Foto: Gustavo Carneiro



Crianças que não tomam leite por se sentirem mal, que não comem pão pelo mesmo motivo ou que não têm boas reações ao ingerirem altos índices de açúcar. O que para muitos sempre foi tratado como "frescura" no passado, mudou e hoje é de fácil diagnóstico por parte dos médicos.

As restrições alimentares são problemas a serem enfrentados não só pelos pais, mas também pelas escolas, que recebem as crianças em boa parte do dia.

"O aumento desses casos acontece pela mudança nos hábitos, especialmente familiares. Alguns fatores contribuem para que haja esse tipo de intolerância alimentar, como sedentarismo, maior tempo de tela, alimentos processados à venda nos mercados. Os índices de crianças com esses problemas estão crescendo mesmo", explicou a nutricionista Renata Teixeira, uma das responsáveis pela gerência de alimentação escolar da Prefeitura de Londrina. "Nós adaptamos o cardápio já existente para que não haja uma exclusão da criança. Tentamos adaptar para aproximar o máximo possível do resto da alimentação. Temos um receituário, que tem os cálculos de todos os alimentos servidos e temos alguns exemplos de substituição dentro dele, como por exemplo, o bolo de arroz que pode substituir a receita do bolo comum para crianças que não podem consumir glúten. Então são coisas que temos para servir para que a criança não coma diferente do que está sendo servido para o amiguinho", completou.

Um dos exemplos de criança com restrição alimentar nas escolas de Londrina é Lorenzzo Caetano, 7, aluno da Escola Municipal Nina Gardemann, localizada no Jardim Tókio. Diagnosticado com diabetes tipo 1 desde o início de 2017, o estudante do 2º ano é um dos 307 que têm alguma restrição na cidade.

"O Lorenzzo é um dos que mais preocupam aqui, até porque a restrição dele é um pouco mais séria, já que a diabetes é uma doença. Já aconteceu, por exemplo, de ele estar 'molinho', com a glicemia alta, e o pai ter que vir dar a injeção de insulina", revelou Tânia Machado, diretora da escola.

O cardápio é enviado mensalmente às escolas, na maioria das vezes optando pela substituição de ingredientes. Além de Lorenzzo, a Nina Gardemann tem outros dois alunos com restrição alimentar, um por intolerância à lactose e outro por intolerância ao glúten. "Nós fazemos de tudo aqui para que não haja o isolamento ou mesmo para que os amiguinhos não os vejam como diferentes. Até por isso servimos os alimentos todos juntos, se tem um bolo, por exemplo, é colocado logo ao lado do pedaço dos amiguinhos, não é servido depois. No caso do Lorenzzo, quando é pão de queijo ele pode comer um pouco, mas tem que comer menos que os outros. Nós servimos uma porção com seis para as crianças, ele pode comer apenas três", completou a diretora.

Lorenzzo está em fase de adaptação aos alimentos e a rejeição a alguns tipos de ingredientes ainda existe. "Ele já recusou muitas vezes, de algumas coisas ele não gosta, já que o sabor é diferente. Não gosta de suco de maracujá, o bolo de chocolate ele só come com cobertura, mesmo sendo o chocolate só dele, geleia diet ele também não come, se tem um pão com geleia, come só o pão", revelou Rosana de Souza, cozinheira da escola.

Nem todas as crianças que possuem problemas alimentares reagem bem ao tratamento diferenciado e à nova rotina. A falta de aceitação é um problema a ser enfrentado também pelos pais, mães e responsáveis. "Ele entende bem, mas as vezes ele está meio revoltado, tem dias que não se aceita mesmo. Ele tem consciência que não pode comer tudo o que os outros comem, é raro que tenha esse sentimento, mas às vezes acontece", revelou Josirene Pereira, 32, mãe de Lorenzzo. "Eu já tive que correr com ele para o HU porque tiveram situações preocupantes. No início de 2017, quando foi diagnosticado, foi o pico das alterações. A época do ano em que temos mais problemas é no fim do ano ou em datas comemorativas, como Natal, Páscoa, em virada de ano ele não fica a noite fora de casa, por exemplo, é um período que exige atenção maior."

*Supervisão: Célia Guerra - editora (interina) Cidades

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