O comerciante Alfredo Eleotério da Cruz, 58, está procurando há três anos os restos mortais do filho Valdir Aparecido, que morreu em 1º de novembro de 1974 aos 5 anos de idade. O corpo do menino foi enterrado no Cemitério Municipal São Judas Tadeu, de Campo Mourão, e sumiu desde 1998, quando uma outra pessoa foi enterrada no mesmo túmulo, apesar de o comerciante ter em casa documentos que provam a aquisição do terreno em 1977.

A história do sumiço dos restos mortais do menino é cheia de mistérios. Cruz contou que o túmulo do filho estava normal até novembro de 1997 e que se surpreendeu um ano depois, ao ver que uma mulher havia sido sepultada no lote 4 da quadra 264. Ao reclamar na Ouvidoria Geral, ficou ainda mais confuso. O comerciante descobriu que, desde 5 de novembro de 1983, quem estava enterrado no local era Rosana Aparecida dos Santos, falecida com um mês de vida.

De acordo com a Ouvidoria, a menina havia sido removida para o ossário em 15 de fevereiro de 1998. Um mês depois, o túmulo recebeu o corpo de Paumira dos Santos Shimizu. O caso foi parar na polícia e o mistério aumentou. A Justiça autorizou o exame de DNA na gaveta 478 do ossário, para confirmar se os ossos eram do filho de Cruz ou da menina. Na gaveta, no entanto, só foram encontrados ossos de adultos.

''A polícia nem pegou os ossos porque sabia que eles não eram nem do meu filho nem da menina Rosana'', relatou Cruz. Revoltado com a demora para a solução do caso, o pai chegou a fazer uma investigação por conta própria e descobriu outro enigma: a certidão de óbito de Rosana Aparecida dos Santos informa que ela morreu em 6 de janeiro de 1983, 10 meses antes da data encontrada nos registros do cemitério.

Alfredo da Cruz desconfia que os restos mortais do menino continuam no mesmo lugar. ''Acho que eles construíram a gaveta por cima do túmulo, pois meu filho foi sepultado na terra e as covas são mais fundas'', argumentou. O delegado Lindomar Alves Júnior, que cuida do caso, disse que o responsável pelo desaparecimento dos restos mortais pode pegar pena de prisão superior a três anos. O promotor Robson Martins deu 30 dias para que a polícia conclua as investigações.

A administração do Cemitério São Judas Tadeu culpa administrações anteriores pelo erro, mas o comerciante contesta. ''O túmulo que eu fiz em 1977 estava lá até 1997 e não tinha como enterrar outra pessoa.'' O advogado dele, José Luiz Gurgel, deve entrar com uma ação de indenização por danos morais contra a prefeitura, pelo desaparecimento dos ossos. Ele vai pedir 500 salários mínimos (R$ 90 mil).

Sem saber onde o filho está enterrado, Alfredo da Cruz não tem ido mais ao Cemitério São Judas Tadeu, rompendo um costume que manteve por 24 anos. No Dia de Finados, ele preferiu ir a Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão), onde está sepultado o pai dele. ''Não tenho mais o que fazer no cemitério de Campo Mourão.''

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