Você é empresário e sempre se pergunta como poderia ser solidário ao próximo? Tem consciência de seu papel e de sua responsabilidade social, mas não sabe como ajudar? A Associação de Mulheres do Jardim Nova Esperança, um dos bairros mais distantes na Zona Sul de Londrina, pode ser uma opção para os interessados em dar um pouco a quem tem quase nada. O grupo pretende organizar uma cooperativa de trabalho, que pode significar uma fonte de renda para as mulheres da região. E uma oportunidade real para mudar de vida.
O embrião do projeto é a atividade da costureira Irene Rocio Soares, 58 anos. Batalhadora, ela ensina o ofício a outras mulheres do bairro. E gente com vontade de aprender, segundo dona Irene, não falta. O que não existe no Nova Esperança é um espaço adequado para montagem de uma oficina de costura.
Outra parte importante do projeto é o empreendedorismo da autônoma Edna Matos, 28. Depois de cinco anos como empregada em fábrica, decidiu trabalhar por conta. Hoje tem três máquinas e uma oportunidade de parceria que tem tudo para crescer. Ela recebe matéria-prima - restos de estofados - e a transforma em travesseiros e capas de almofada. A maior parte do lucro, entretanto, fica com o dono do material.
Então, com máquinas ociosas no bairro, gente com vontade de aprender e profissionais competentes para ensinar, só faltava uma organização formal para transformar o grupo de autônomas ou desempregadas em empreendedoras. O incentivo veio por meio da associação de moradores, que pretende ajudar na regularização da organização da sociedade civil de interesse público (Oscip). Sem os restos de estofado, no entanto, as mulheres não têm como transformar o potencial em fonte de renda.
''Cada uma pode fazer até de 70 a 80 capas por dia. Hoje vendo só por R$ 0,70. E tem o custo da energia e da linha. O trabalho não é difícil, mas a gente precisa que alguém doasse o material'', calcula Edna, cuja principal fonte de sustento é a fabricação de fuxicos e outras encomendas de costura. A esperança, porém, é que os lucros das capas de almofada e travesseiros possa crescer o quanto antes. Ela estima que pode vender cada peça por R$ 5,00 nas feiras e exposições organizadas por toda a cidade.

Meio Ambiente
A preservação ambiental também é uma das preocupações. As costureiras ressaltam que muitas vezes o que pode representar matéria-prima para a costura é descartado incorretamente e contribui com a poluição e o aquecimento global.
Com o material na mão, acrescenta a costureira, começamos a trabalhar já. Ela tem três máquinas de costura em casa. Outras profissionais do bairro também possuem equipamentos. A estimativa é que as dez máquinas hoje disponíveis sejam suficientes para 20 mulheres - entre alunas e professoras - trabalharem e garantirem uma fonte de renda.
A doméstica Otília de Oliveira Coutinho, 45, é uma das mais ansiosas pela chegada de uma doação. Desta forma, ela poderia voltar a ter uma fonte de renda, já que está desempregada e a família atualmente depende da pensão por invalidez do marido. ''Moro com ele e a nossa filha, que estuda, e vivemos só com esse dinheiro. Mas é bem pouquinho. A gente paga o financiamento da Cohab, água, luz e comida e aí já zera'', lamenta.
A nova fonte de renda será muito bem-vinda também na casa de Irene. Os ganhos dela são de cerca de R$ 200,00 por mês, uma vez que pelo pouco tempo de registro na carteira de trabalho está longe de ter direito de aposentar-se. O dinheiro vem da costura e venda de roupas íntimas ''para as amigas.'' ''Costurar é o mais fácil. O difícil é vender e receber depois'', brinca.

Serviço - Interessados em doar tecidos ou sobras para a Associação de Mulheres do Jardim Nova Esperança podem entrar em contato pelo fone (43) 3341-6997.

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