Edson MazzettoCaprichoArquiteto e escultor Edson Ribeiro com peças que produz. A colagem é feita pacientemente com pedaços de madeira. Para o acabamento, ele usa um tornoSobras de madeira extraídas em áreas de reflorestamento estão sendo utilizadas para esculturas e peças de utilidade doméstica pelo arquiteto e escultor Edson Ribeiro, 41 anos. Ele instalou um ateliê em Céu Azul (46 quilômetros a oeste de Cascavel). A destaca que a técnica é ‘‘ecologicamente correta’’ porque faz a reciclagem das sobras.
Ribeiro cola pacientemente pedaços de madeira superpostos e depois esculpe ou faz o acabamento com torno. Seu trabalho tem chamado a atenção de pessoas que passam por Céu Azul com destino a Foz do Iguaçu, Paraguai e Argentina e visitam o ateliê. Ribeiro diz que aprendeu a técnica com uma professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde fez os cursos de arquitetura e educação artística.
Ele fez a primeira escultura ainda na UEL, em 1988. Depois, fez especialização em arte barroca, na Universidade Federal de Ouro Preto (MG), cidade onde nasceu Antônio Francisco Lisboa, o ‘‘Aleijadinho’’ (1738-1814), o mais importante escultor barroco do País. Ribeiro mora em Matelândia, cidade vizinha a Céu Azul, onde dá aulas e trabalha em um escritório de arquitetura e engenharia. Atualmente está dedicando mais tempo ao ateliê.
As sobras de madeira que utiliza geralmente são de pinus. A produção de algumas peças (por exemplo, um vaso de flores com 30 centímetros de altura) pode demorar quatro dias, entre a colagem das placas (com até um quilo de cola) e o acabamento. No caso de objetos cilíndricos, Ribeiro usa o torno. Já os de formas quadradas, tudo é feito manualmente, com lixa. Embora o trabalho seja artesanal e demorado, um vaso de trinta centímetros de altura é vendido por apenas R$ 20,00, mas há peças de até R$ 150,00.
Entre os objetos de utilidade prática, Ribeiro produz cadeiras desmontáveis, misturando madeira e cordas sem utilização de cola ou pregos. Ele diz que gostaria de se dedicar apenas às obras de arte, mas teve que partir para objetos de utilidade prática para melhorar a receita do ateliê. Até hoje, já produziu cerca de 1.500 peças, das quais mil foram destinadas a pessoas de várias partes do Brasil ou países fronteiriços.
Embora esteja desenvolvendo ele próprio algumas máquinas adequadas ao tipo de trabalho, Ribeiro afirma que não quer ir para o processo meramente industrial. ‘‘Não abro mão do artesanal’’, afirma.

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