Vários quilos mais gorda, com uma aparência saudável e praticamente sem marcas dos maus-tratos que sofria até dois anos atrás, Maria de Lourdes Graciano da Silva passa os dias no Asilo São Vicente de Paulo descansando e realizando pequenas tarefas domésticas. Ela diz que está sendo bem tratada e quer esquecer a época em que era mantida pelo irmão em um cubículo, junto com as galinhas, em sítio do patrimônio Espírito Santo.
Maria de Lourdes diz que, além ter de se alimentar de restos de comida e beber água suja, tinha que trabalhar muito. ‘‘Eu lavava muita roupa’’, lembra. Ela revela que não tinha esperança de que alguém fosse ajudá-la. ‘‘Quando eles (funcionários da subdelegacia do patrimônio) chegaram para me levar embora foi um alívio tão grande que comecei a chorar.’’
Depois de passar alguns dias no Hospital Universitário para ser tratada, Maria de Lourdes foi encaminhada ao asilo. Ela acredita que se não fosse socorrida, não teria sobrevivido. ‘‘Eles estavam me matando aos poucos.’’

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