Restauro do Louvre destoa da realidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de outubro de 1998
Guilherme Vieira 
Os imóveis históricos do Centro de Curitiba passam por um momento de contradição. Enquanto o prédio do Louvre, das Lojas Marisa, está sendo reinaugurado hoje, depois de restaurado, dezenas de outros prédios antigos - alguns também incendiados - permanecem abandonados e ameaçam até desabar.
Comerciantes e moradores da Rua Riachuelo estão revoltados com a situação. Evitando se identificar, eles reclamam que a existência destes prédios semidestruídos favorecem a ocorrência de desabamentos e servem como pontos de apoio à ação de traficantes e assaltantes. A superintendente do Uso do Solo da Prefeitura Municipal de Curitiba, Angela Dias Bertolini, informa que não existem projetos em tramitação para recuperar estes dois imóveis (ver matéria abaixo).
A superintendente diz que cerca de 600 prédios antigos estão catalogados como Unidades de Interesse de Preservação do Município. Angela diz não possuir uma estimativa de quantos destes imóveis estão abandonados, mas basta uma volta pelo Centro da cidade para se ter uma idéia da dimensão do problema.
Segundo a superintendente, a maior dificuldade que a prefeitura enfrenta para manter estes imóveis em bom estado são as ações pendentes na Justiça sobre a posse dos prédios. Muitas propriedades pertencem a espólios e, como estão em disputa, não temos a quem notificar pela recuperação. Angela Bertolini explica que o trabalho da prefeitura começa com uma notificação para o proprietário, que tem o prazo de 15 dias para apresentar projeto de restauração ou alvará de construção. A partir daí temos que aguardar os prazos legais e não podemos entrar de qualquer maneira nas propriedades, pois elas são particulares, diz.
Por causa da complexidade da legislação a prefeitura acaba priorizando as intervenções sobre os imóveis que estão em risco iminente de desabamento, com possível risco à população. Nestes casos o imóvel é isolado por tapumes, interdidato e escorado se estiver desabando. Um exemplo desta ação aconteceu sobre o prédio que abrigava a loja Ferragens Hauer, na Praça Tiradentes. Depois de sofrer um incêndio no dia 28 de maio, a prefeitura decidiu escorar a fachada do prédio que ameaçava desabar, porque os proprietários não tomaram qualquer providência, desde a ocorrêcia do incêndio. A prefeitura resolveu aplicar multas, escorar as paredes e depois cobrar judicialmente dos donos do prédio. As obras devem estar concluídas em 30 dias.


