A diretora da Vigilância Sanitária Municipal, Margarida Lenzi, afirma que o trabalho realizado hoje junto a restaurantes da capital restringe-se a educação e orientação dos proprietários sobre o estabelecimento de áreas distintas para fumantes e não fumantes. Entretanto, não são emitidas autuações quando a determinação não é cumprida.
O proprietário do restaurante Dom Antônio, João Antônio Madalosso, conta que tentou criar áreas reservadas para os fumantes há cerca de dois anos, mas a experiência não deu certo. ‘‘Como a divisão era imaginária, clientes não fumantes reclamavam ser incomodados pela fumaça de cigarros alheios mesmo tendo optado por mesas onde isso supostamente não aconteceria’’, diz. Madalosso descartou a idéia de estabelecer salões para receber os não fumantes porque a mudança acarretaria prejuízos. ‘‘Nos dias em que o restaurante com dois mil lugares estivesse lotado, eu teria que deixar de receber clientes, dependendo do tipo de salão disponível.’’
Madalosso considera a lei anti-fumo boa, mas reclama que a legislação deveria ser mais divulgada. ‘‘A culpa por irregularidades fica para o estabelecimento e os clientes ficam bravos com a gerência quando se sentem desrespeitados’’, lembra. Ele diz que apesar de não cumprir a lei há cerca de dois anos, nunca recebeu funcionários da prefeitura para fiscalizar o restaurante.
O dono do restaurante Veneza, Viniani Valente, defende que antes de impor leis é preciso educar a população para que respeite o próximo. ‘‘Alguns clientes chegam a acender cachimbo no restaurante, sem se importar se vai incomodar outras pessoas ou se há crianças ou gestantes por perto’’, critica. A situação fica complicada para a gerência. ‘‘O cliente incomodado pela fumaça reclama com os funcionários. Parte dos fumantes abordados responde que estão pagando a conta e que por isso podem fazer o que quiserem.’’ Segundo Valente, o restaurante de 700 lugares, dividido em três salões, nunca foi fiscalizado ou orientado sobre ter ou não áreas distintas para fumantes e não fumantes.

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