Ribeirão Claro - Reconhecidamente patrimônio histórico pelos estados do Paraná e de São Paulo, a ponte pênsil Alves Lima, localizada na divisa dos dois estados, entre as cidades de Ribeirão Claro (PR) e Chavantes (SP), segue a sua história de luta pela ''sobrevivência'', uma saga que vai completar 90 anos em dezembro de 2010. Depois de uma paralisação de seis meses, as obras de restauração da ponte sobre o Rio Paranapanema voltaram a andar neste mês.
Idealizada por cafeicultores que fizeram do Norte Pioneiro do Paraná a nova fronteira agrícola para o produto no início do século 20, a ponte serviu para que a safra pudesse ser escoada até o porto de Santos (SP) sem a necessidade da utilização de balsas para atravessar o rio.
Inaugurada em 1920, a obra logo enfrentou seus primeiros inimigos: paulistas da revolução tenentista, que destruíram parte dela em 1924. Seis anos depois veio a revolução de 1930 e, mais uma vez, sobrou para a Alves Lima - cujo nome homenageia um cafeicultor de Ribeirão Claro -, dinamitada por ser ponto estratégico de ligação de São Paulo com o sul do país. A reconstrução ocorreu em 1934.
Contudo, dispondo de uma engenharia que impressiona, sendo apoiada por pilares de concreto e mantida suspensa por cabos de aço, que são ancorados diretamente em rochas, a ponte renasceu várias vezes. Resistiu até a uma enorme enchente, em 1983, quando chuvas fora de época, em julho, sobrecarregaram o reservatório da Usina Hidrelétrica de Chavantes, cuja barragem fica a centenas de metros rio acima.
Os vertedouros foram abertos em suas capacidades máximas e as águas passaram sobre a ponte, que não ruiu e continuou a ser utilizada até 2005, quando uma nova ponte, de concreto, foi construída 200 metros abaixo e passou a receber o tráfego de veículos.
Daí em diante, já tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Artístico do Estado de São Paulo (Condephaat), desde 1985, e pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural do Paraná (CPC), desde 2001, a ponte pênsil, uma das três desse tipo existentes no Brasil, passou a aguardar a restauração e a enfrentar novos inimigos: vândalos. Eles chegaram até a atear fogo em suas tábuas de Cabreúva.
Há dois anos, a FOLHA denunciou a situação de abandono do lugar, com as tábuas podres e esburacadas e os pilares servindo de trampolim para garotos que se arriscavam em mergulhos no rio.
A restauração está a cargo da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que pertence ao Grupo Votorantim, sendo - junto da construção da nova ponte de concreto, que já foi realizada - uma condicionante da licença ambiental de operação da Usina Hidrelétrica de Ourinhos, construída pela metalúrgica no Paranapanema.
A ponte, que tem no total 164 metros, sendo 82,5 metros no setor pênsil, com largura de quatro metros, já devia estar restaurada desde 2008 se o cronograma das obras tivesse sido cumprido. Porém, a burocracia que exigia uma série de assinaturas de órgãos públicos dos dois estados atrasou o início dos trabalhos.
O último revés sofrido pela Alves Lima foi a crise econômica mundial, que fez a CBA suspender as obras. ''Em função dos impactos da desaceleração da economia global com a consequente redução na demanda e nos preços dos metais, a empresa, em acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) dos Estados de São Paulo e Paraná, paralisou as obras no período de junho a dezembro de 2009'', justificou a metalúrgica em nota encaminhada à FOLHA.
A previsão de conclusão do projeto é para o terceiro trimestre de 2010. Hoje, representantes do Condephaat, dos DERs (SP e PR) e do CPC se reúnem em Ribeirão Claro para discutir e fiscalizar o andamento do processo de restauração.

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