Londrina - No poema "Nem tudo é fácil", Cecília Meireles escreveu: "É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo. É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar". O trabalho de um protético tem tudo a ver com isso. O profissional sempre foi fundamental para restabelecer esses sorrisos, principalmente pela confecção de dentaduras e pontes móveis. Paulo Aversa e Sadi Sardinha, ambos com 86 anos, chegaram em Londrina em 1947, 15 dias depois do primeiro protético de Londrina, Walter Zumbano, partir para São Paulo.
Os dois já tinham feito o Tiro de Guerra juntos em 1944, em Bauru (SP), onde deram os seus primeiros passos na profissão. Aversa se recorda que começou a aprender a fazer próteses quando trabalhava em um laboratório. "Comecei como faxineiro e gostei de ver como as próteses eram feitas. Aos sábados e domingos ninguém trabalhava, mas eu até pernoitava no laboratório para aprender mais depressa. Quando me dei conta já tinha me tornado protético prático", afirmou. Logo Aversa se tornou o gerente do laboratório e Sardinha também começou a trabalhar na unidade. "Ele era um ótimo protético. Aprendeu rápido", ressaltou Aversa.
No início da carreira eles foram adquirindo o material aos poucos para exercer o ofício até que decidiram criar um laboratório próprio. "Decidimos abrir um laboratório em Londrina, que tinha uma fama muito grande. A cidade estava florescendo. O que vinha de corretor de terra nessa Londrina era uma coisa incrível. Os hotéis e pensões viviam lotados", relembrou Sardinha.
Aversa se recorda que na época as pessoas dormiam em uma cama de solteiro com mais duas outras pessoas de tão lotados que os hotéis ficavam. "Nos instalamos primeiro na Rua Sergipe, esquina com a Rua professor João Cândido. A Rua Sergipe era mais movimentada do que hoje. Era um comércio intenso."

CINCO PROFISSIONAIS
Na época em que os dois protéticos chegaram a Londrina, a cidade possuía apenas cinco dentistas, mas a demanda por próteses era muito grande. Segundo eles, o serviço mais pedido era o de dentaduras e de coroas estampadas. "Fomos nos aperfeiçoando na prática", afirmou Paulo Aversa. "Éramos nós dois e Deus e tivemos que ir formando a mão de obra para trabalhar com a gente", relembrou.
Ele e Sadi Sardinha afirmam que muitas pessoas que trabalharam com eles seguiram a profissão de dentista.
Os dois protéticos pioneiros seriam homenageados ontem à noite pela Associação Odontológica do Norte do Paraná (Aonp) e pelo Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR), em cerimônia realizada no Edifício Twin Towers.

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