Logo na porta do Cense II de Londrina um interno de 17 anos pinta o meio-fio. Ele foi sentenciado por envolvimento com o tráfico e há sete meses cumpre a medida. Mas diferente de outros que ficam nas alas de segurança máxima, auxilia em pequenos serviços de manutenção e jardinagem. Já dentro da unidade, outro jovem de 20 anos ajuda nos reparos da estrutura interna com o auxílio de um educador. Ele está há pouco mais de um ano cumprindo a medida por homicídio. Ambos dizem que estão aproveitando a oportunidade e querem voltar ao convívio social o quanto antes.
Os dois só saíram da reclusão por comportamento e potencial de ressocialização. Este é um exemplo da diferença principal entre delegacias comuns e os centros de socioeducação, que são equipados e estruturados para receber os adolescentes. ''Este é um dos objetivos da unidade: resgatar ou até mesmo incutir valores e responsabilidades que eles não tenham aprendido. Para sair da ala, os dois são acompanhados de perto'', diz o diretor do Cense II, Júlio César Botelho. O local possui 70 vagas para internos. De acordo com o Botelho, menos de 5% deles é reincidente.
O local dispõe de salas de aula, espaço para cursos profissionalizantes, esporte e lazer. ''Enquanto estão cumprindo a medida, oferecemos uma série de atividades ocupacionais'', complementa. Mas, quem pode pensar que a internação é alternativa a todos, o diretor é prudente. ''Percebemos que adolescentes de cidades menores acabam aqui, quando não seria o caso, até porque não possuem uma vivência criminal. A medida judicial deve existir, mas nem sempre é internação.''
Londrina possui ainda o Cense I para medidas provisórias, onde estão 92 adolescentes e outras duas Casas de semiliberdade, com nove vagas cada uma. Atualmente, não há indícios de que haja superlotação nestes locais, mas no Cartório da Vara da Infância e Juventude existem 150 mandados de busca e apreensão para menores. (M.T.)

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