Ressocialização em forma de trabalho e estudo
O ideal dos gestores da cadeia é fazer jus ao nome do lugar. Por isso, os trabalhos visam a ressocialização dos detentos. Em tão pouco tempo de funcionamento não é possível fazer estatísticas sobre a taxa de reincidência no crime daqueles que passam pelo CDRL, porém a meta da direção é fazer melhor do que a taxa geral de reincidência do sistema penitenciário do Paraná, que é de 20%.
Atualmente, 287 presos têm a oportunidade de trabalhar dentro da unidade, 80 deles atuam em serviços essenciais para o próprio funcionamento da instituição, como manutenção e limpeza. Quem trabalha tem a pena reduzida. Cada três dias de serviço significa um a menos de cadeia. Além disso, o detento recebe 3/4 de salário mínimo no final do mês. O dinheiro é depositado diretamente em uma conta administrada pela família do preso. A fila de espera por uma vaga para trabalhar é grande. O projeto do CDRL é oferecer 600 vagas de trabalho em 2008.
Uma das empresas que tem uma ''filial'' dentro da cadeia é a Fujiwara, que fabrica equipamentos de proteção individual. São 80 vagas de trabalho na produção de botinas de couro para trabalhadores da indústria. No CDRL é feito o corte de todos os componentes do calçado. A produção é de 60 mil pares por mês.
''Gradativamente, vamos ampliar as vagas de trabalho. Queremos chegar a 150'', diz Luiz Carlos Leitão, gerente de projetos da empresa que atua há cinco anos dentro do sistema penitenciário e trata os detentos como funcionários. ''Nosso calçado tem de ser de alta qualidade, pois trabalhamos em um ramo competitivo. Nossa idéia é criar um ambiente de ressocialização integral'', complementa.
Cumprindo pena por assalto à mão armada, Márcio Gonçalves, 40 anos, diz sentir-se privilegiado por estar preso e poder trabalhar. Casado e pai de dois filhos, ele agradece por ter a chance de mostrar que pode ser um bom trabalhador. ''Muita gente pensa que o preso deixa de ser gente. Estamos provando que isso não é verdade'', orgulha-se.
Também atua no CDRL uma empresa que fabrica cadeiras de alumínio com fibras sintéticas. O trabalho artesanal de 16 detentos rende 500 peças por mês. Cada um recebe R$ 3,20 por peça fabricada. Outra oportunidade de trabalho é a oficina de ''rococó'' - papel para embrulhar balas de coco. No entanto, a empresa responsável por esse serviço ainda não oferece remuneração aos detentos.
Estudar também ajuda a reduzir a pena. Dezoito horas na sala de aula equivalem a um dia a menos na prisão. De acordo com Regina Célia Baptista, diretora da Escola Manoel Machado, que atua por meio do sistema de educação e ensino básico de jovens e adultos, é possível que o interno faça todo o ensino fundamental e médio dentro da prisão. Porém, a unidade ainda precisa de algumas reformas estruturais para que seja possível atender todos que desejam estudar.(W.S.)





