Com objetivo de também amenizar o estresse, a psicóloga da ala adulta da UTI do Hospital Universitário (HU), Mariana Festti, utiliza o trabalho gestual para se comunicar com os pacientes que não são capazes de movimentar os braços. ''Estabelecemos o piscar dos olhos para que eles possam responder as perguntas.''
Segundo Mariana, o trabalho de comunicação dos pacientes da unidade começou há 16 anos e tem se mostrado uma importante ferramenta para reduzir a ansiedade e amenizar o sofrimento das pessoas hospitalizadas. Ela detalha que o trabalho é realizado com cerca de cinco pacientes da unidade, todos os dias.
De acordo com a psicóloga, o objetivo é ampliar e melhorar ainda mais o trabalho, desenvolvendo novas técnicas para a comunicação. ''Estamos confeccionando agora uma prancheta de comunicação mais moderna, já utilizada em outros hospitais.''
Na ala pediátrica do hospital, a psicóloga Denise Regina Carlesso, detalha que desenvolve atividades lúdicas com as crianças para que possam demonstrar o que estão sentindo. ''Uso frequentemente uma coleção de histórias do Rubem Alves. São contos que falam de doenças, de medo, angústias, separação que as ajudam a se expressar'', explica. ''E é nesse momento que temos que estar sempre muito atentos ao olhar da criança, pois é por meio dele que ela manifesta o que está sentindo, quando não pode falar.''
Ciclo
Miriam Tomy Tabuo, psicóloga da UTI da Santa Casa, acrescenta que a internação é um momento de grande impacto emocional tanto para o paciente quanto para a família. Possibilitar que eles expressem seus sentimentos é uma forma de aliviar o estresse da internação.
O acompanhamento psicológico é realizado há cinco anos no hospital e, de acordo com Miriam, ajudar o paciente a se comunicar tem papel fundamental em sua recuperação. Segundo ela, são atendidos diariamente seis pacientes. ''Nós não introduzimos nenhum material para forçá-lo a falar sobre algum assunto. Deve partir do paciente a vontade de se expressar'', afirma.
Miriam esclarece que o trabalho de auxiliar o paciente a se expressar nos últimos momentos de sua vida é também uma forma dele finalizar um ciclo de suas vida. ''A maioria das famílias tem dificuldade de ouvir o paciente falar da própria morte. E para ele é fundamental, naquele momento, resolver questões e se despedir de pessoas.''. (F.C.)

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