Os pescadores de cascudo de Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama) saíram decepcionados da reunião anteontem à noite com o procurador jurídico do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Maurício Ferrante. O procurador descartou qualquer possibilidade de o DER pagar logo a indenização pelas explosões realizadas no Rio Paraná para abrir um canal de navegação. Ferrante também recusou os estudos feitos pelo Nupleia, um dos núcleos de pesquisas da Universidade Estadual de Maringá (UEM) atestando a mortandade de peixes depois das explosões.
Segundo o tesoureiro da Colônia de Pescadores Z-13 , Nivaldo Capatti, Ferrante deixou claro que o DER vai esperar a perícia a ser determinada pela Justiça. Os pescadores ingressaram ano passado com ação no Fórum de Guaíra exigindo o pagamento de indenização aos 186 pescadores de cascudo, alegando que as explosões exterminaram os peixes.
Segundo Nivaldo Capatti, os pescadores irão novamente a Curitiba no início de setembro cobrar a agilização do processo. ‘‘Desta vez vamos acampar em frente ao Palácio Iguaçu’’ informou Capatti. Por duas vezes, em junho e julho, cerca de 40 pescadores acamparam em frente ao prédio do DER, mas desistiram do protesto e voltaram para casa depois que os direitores do DER prometeram conversar. A colônia está tentando arrecadar alimentos e dinheiro para custear a viagem dos manifestantes.
O procurador jurídico do DER, Maurício Ferrante explicou ontem que não dá para antecipar a indenização sem a realização de uma nova perícia. ‘‘Os pescadores reivindicam indenização por quatro anos de pesca, mas não temos nenhum estudo técnico sobre isso’’, disse. Segundo Ferrante, o estudo da UEM foi feito na época das explosões e não serve mais. ‘‘Os próprios pescadores contestam na acão judicial o estudo do Nupélia, que calculou ter a explosão exterminado em média 36% dos peixes’’, disse.
Os pescadores afirmam que 90% dos cascudos desapareceram. Valter Diogo Júnior, pescador há 25 anos, disse que ‘‘antes das explosões dava para pegar de 40 a 60 quilos de cascudo por dia’’. ‘‘Cada pescador ganhava em torno de R$ 25 por dia. Agora, a gente não consegue pescar mais que quatro quilos por dia’’, afirmou.
Para Ferrante, não basta os pescadores afirmarem que a população de peixes diminuiu. ‘‘Precisamos saber o quanto diminiu, quanto tempo vai ser preciso para se recuperar e assim por diante’’, insistiu. Para o procurador, o caminho mais simples é solicitar ao juiz que determine o órgão que vai fazer o levantamento para evitar novos questionamentos.
As explosões de rochas no Rio Paraná foram feitas em 95 e 96, numa área um quilômetro acima das antigas Sete Quedas. O local era um dos principais redutos de procriação do cascudo. Antes do derrocamento, o DER pagou R$ 3,1 mil para cada um dos 187 pescadores da área e ficou de voltar a discutir uma complementação, caso os prejuízos fossem maiores que o esperado.

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