Responsável por vazamento está irregular com o IAP
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quarta-feira, 26 de junho de 2002
Luiz Claudio Oliveira<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Parte dos 6 mil litros de extrato aromático neutro pesado, um tipo de óleo lubrificante, derramados na terça-feira no Rio Atuba, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, já chegou ao Rio Iguaçu, distante cerca de 20 quilômetros do local do acidente. A Defesa Civil, no entanto, minimiza as consequências afirmando que nenhuma cidade ao longo dos dois rios ficará com problemas de abastecimento.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) confirmou ontem que a empresa Ingrax Indústria e Comércio de Graxas, onde ocorreu o acidente e o vazamento de 21 mil litros do produto, está com a licença ambiental vencida. A licença está vencida desde 1999 e somente em maio deste ano a empresa pediu renovação, que está sendo estudada, disse o diretor do IAP, José Luiz Bolicenha.
Segundo Bolicenha, se o pedido de licença tivesse sido feito antes, a empresa passaria por uma fiscalização que poderia ter evitado o acidente. Nossos técnicos teriam vindo aqui e constatado falhas de segurança e feito várias exigências, afirmou. A empresa existe há 25 anos e nunca houve problemas pois sempre seguimos nosso plano de contingência, afirmou o gerente de produção da Ingrax, Manoel Honorato. No entanto, ele admite que a empresa terá que fazer uma reciclagem para deixar mais efetivo o plano para casos de emergência.
Um grupo de cerca de 50 homens continua trabalhando em oito pontos com barreiras para impedir a progressão do óleo nos rios Atuba e Iguaçu. O coordenador estadual de Defesa Civil e secretário-chefe da Casa Militar, coronel Luis Antonio Borges Vieira, acredita que até amanhã estarão concluídos os trabalhos de contenção. Ele acredita que até o início da tarde de ontem já haviam sido retirados cerca de 2 mil litros de óleo das águas, restando ainda perto de 3,5 mil litros.
O IAP, no entanto, continua fazendo análises e detalhando os danos causados pelo vazamento para poder estipular a multa ambiental para a empresa. Seguramente terá multa, mas o valor só será estipulado em cerca de dez dias, estimou Bolicenha. A empresa já teve suas atividades suspensas até que o IAP complete a fiscalização.
A Defesa Civil afirma que já está implantando o Plano de Apoio Mútuo para as empresas que trabalham com produtos perigosos. Cada uma deverá ter seu próprio estoque de material que ficará sempre disponível, explicou o coronel Vieira. Neste acidente específico, a Petrobras emprestou equipamentos e deu apoio para a Ingrax que não tinha todo o material necessário. Estamos apertando a obrigatoriedade dos equipamentos e toda empresa que trabalha com produtos perigosos terá que fazer simulações de acidentes, garantiu o coordenador da Defesa Civil.


