Responsáveis desconhecem problema
A indústria moveleira de Arapongas segundo pólo nacional do setor, com faturamento aproximado de R$ 500 milhões por ano gera 5,8 mil empregos, mas gera também problemas, apesar de estar implementando um trabalho de reciclagem de lixo industrial com adesão de 160 empresas.
Pelo menos duas áreas são usadas como depósitos clandestinos de resíduos, material que é incinerado diariamente no final da tarde e está causando desconforto em 20 famílias que vivem em chácaras e uma vila vizinha ao Parque Industrial 2. Os minilixões e a incineração ferem o código de posturas do município. Osmar Artur Rizzotti, secretário municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente, e José Roberto Pontalti, do Departamento de Relações Comunitárias (que atende denúncias em linha telefônica gratuita), diretor executivo do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (Sima), disseram à Folha que ignoram o fato.
Segundo o Sima, o conjunto das indústrias produz cerca de 160 toneladas por dia de sobras, como pó de serra, pedaços de madeira, estofado e borracha. Um programa implementado nos últimos três anos, com assessoria de especialistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), vêm assessorando os empresários na destinação do lixo.
A Cooperativa Agropecuária Rolândia (Corol) está comprando sobras de madeira para alimentar caldeiras. O pó de serra vem sendo usado por produtores de uva da região de Maringá como adubo. O mesmo resíduo está sendo usado para a forração de granjas. Desde 1999, os materiais recicláveis são enviados à Usina de Beneficiamento de Lixo, inaugurada pela prefeitura em outubro passado. De acordo com o Sima, o lixo tóxico fica sob responsabilidade de armazenamento e destinação das próprias indústrias.
Enquanto empresários e prefeitura ignoram o problema, as famílias que vivem próximas aos minilixões clandestinos sofrem com uma fumaça escura, que não descartam, pode ser tóxica. A coisa começou a ficar complicada de uns dois anos para cá. A gente tem que torcer para ventar no sentido contrário, reclama o vendedor Edilei Francisco de Oliveira, 24 anos, que todos os dias antes de trabalhar passa um pano para tirar fuligem acumulada sobre o carro estacionado na garagem. O pára-brisa fica coberto por cinza, lamenta.
A mãe de Edilei, a dona de casa Maria José de Oliveira, 47 anos, se incomoda com o cheiro forte e com uma dor de cabeça constante. Sua mãe, Ruth Paiva, 77 anos, além da dor de cabeça, está com problemas respiratórios.
Ainda mais próximo das áreas de incineração, o operário Francisco Schorek, 41 anos, ouve os caminhões despejando os resíduos e em instantes já sente o forte cheiro e a fumaça preta tomando conta do ambiente. Ultimamente, parece que eles estão queimando até borracha.
Gabriel, 11 anos, é o que mais sofre com uma alergia que não deixa seu nariz parar de coçar. Gabriela, 8, e Bruna, 6, também reclamam da fumaça e não podem brincar no quintal. As crianças são filhos do casal Sisínio Ruiz Dias, 33 anos, e da costureira Cleusa Fernandes Dias, de 34 anos, que se dizem cansados de fazer queixas sem que ninguém resolva o problema. O pior é que os caminhões que passam carregados de lixo derrubam parte da carga no chão, entopem as bocas de lobo e a enxurrada desce pela estradinha e vai parar em casa, diz a costureira. (L.F.M.)





