A educação está em 2º lugar no ranking da desigualdade social do País, segundo dados estatísticos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). A maioria dos integrantes de famílias brasileiras de baixa renda não consegue uma vaga nas universidades públicas. Michelle Alexandra Tavares de Lima, formanda do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é exceção à regra. Ela esteve entre os primeiros colocados no vestibular de 2003, mas esbarrava na situação sócio-econômica familiar. Trabalhava em período integral para ajudar as despesas domésticas e se não fosse o projeto 'Bom Aluno' não teria tido condições de realizar seu grande sonho, se tornar uma médica.
A história de Michelle se diferencia dos outros alunos beneficiados pelo projeto, que ingressam na faixa etária entre 11 e 12 anos. Filha de pais separados, na época com 23 anos, ela já tinha passado no vestibular, mas não via como cursar a universidade.
''Estava a ponto de desistir, quando uma professora que trabalhava comigo em Cambé (Norte) me contou sobre o projeto. Entrei em contato com a empresa e por felicidade fui aceita. Se soubesse do projeto antes, teria optado por isso. Vejo muita diferença na educação das crianças que tiveram essa oportunidade'', conta Michelle.
A empresa a que se refere Michelle é a Rondopar. Os estudantes incluídos no ''Bom Aluno'' ganham alimentação, transporte, vestuário, livros e material escolar; e ainda recebem recursos para participar de congressos e cursos de idiomas. ''Hoje eles me ajudam, para que futuramente eu tenha condições de ajudar outras pessoas. Quando olho para trás, vejo que essa ajuda foi imensamente importante'', reconhece.
Michelle termina os estudos no dia 20 de novembro e já se prepara para a prova de residência médica. Depois, pretende se especializar em cardiologia.
Para a coordenadora local do ''Bom Aluno'', Lílian Gava Ferreira, o programa é um exemplo de responsabilidade social. ''O Bom Aluno não beneficia a empresa nem o empresário. O retorno é a sensação de dever cumprido. A empresa que adota um aluno acaba colhendo os benefícios de ser socialmente responsável.''
'Bom Aluno' Criado em 1993, em Curitiba, o projeto funciona como uma franquia social que custeia os estudos de alunos da 5 série ao doutorado, nos melhores colégios e faculdades do País. Para ingressar no programa é necessário ter média escolar acima de 7, frequência de 90% nas aulas, interesse e dedicação pelos estudos, bom comportamento e passar no teste seletivo que este ano completa sua quarta edição.
Nos próximos dias 4 e 5, no Sesi, 256 alunos terão que resolver 20 questões de matemática e 20 de português (conteúdo básico). A equipe que trabalha na seleção é composta por alunos já formados pelo projeto e por voluntários. Durante o período que os estudantes realizam as provas, os pais ou familiares que os acompanham recebem intruções sobre a importância do voluntariado e cidadania.

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