RESPONSABILIDADE DE TODOS Polo moveleiro de Arapongas dá exemplo
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sábado, 09 de julho de 2011
Mie Francine Chiba <br>Reportagem Local 
Em um polo moveleiro que possui cerca de 150 indústrias, o volume de resíduo gerado fica difícil de ser contabilizado. Cavacos, madeira, papel, papelão, plástico, metais, lixas são descartados aos montes todos os dias.
''O polo tem crescido muito, uma média de 10% todo ano, e consome e gera muito resíduo industrial'', contextualiza o presidente do Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima), Nelson Polizelli.
Tendo em vista a alta demanda, a criação de uma central que desse o tratamento e a destinação adequados de todo este resíduo foi crucial à indústria moveleira, dez anos atrás. Hoje, a Central de Tratamento de Resíduos Industriais (Cetec), recebe diariamente cerca de 320 toneladas de resíduos de 95% das indústrias do polo, afirma o gerente executivo da Cetec Ong, Jacídio Silva, que administra a central.
Lá, a madeira, a serragem e o pó de serra são condensados e ganham nova função. São transformados em briquetes e pellets, biocombustíveis que alimentam, principalmente, caldeiras da indústria alimentícia e fornos de pizzarias e padarias, respectivamente.
Podem ser considerados combustíveis mais ecologicamente corretos não só pelo reaproveitamento do resíduos da indústria moveleira, mas também porque subistituem a lenha e outras fontes de energia não renováveis, como os óleos combustíveis, os gases e o carvão.
Além disso, pelo custo menor e alto poder calorífico, o uso do material na indústria pode representar uma economia de cerca de 60% ''Os briquetes e pellets tem três vezes mais caloria que a lenha. O pellet custa 50% menos que o gás e o briquete é quatro vezes mais barato que o óleo de caldeira. Além de ser um material ecologicamente correto, é compensador'', ressalta Silva. A Cetec atende até o interior de São Paulo com a venda do biocombustível, afirma.
Segundo o gerente, cerca de 80% do resíduo que chega à central é reciclável e retorna para a empresa. O restante, que não tem destinação, vai para aterros industriais em Curitiba e Apucarana. Lixas usadas, borras de tinta, tintas e mesmo água são considerados rejeitos. A água é tratada antes de ser reusada e a conta vai para a empresa geradora. Já papelão, papel, plástico, solvente e borras de tinta da linha UV são reaproveitados ou reciclados.
''O que é lixo bom, a empresa recebe de volta. O que não é, remunera a gente'', explica Silva. Esta é uma forma de a empresa se preocupar em dar bom tratamento aos resíduos já que papelão molhado, por exemplo, não tem valor nenhum como reciclável.
De acordo com Nelson Polizelli, antes de Arapongas contar com uma central de tratamento, as indústrias ficavam à mercê de empresas que fizessem a correta destinação dos resíduos. Agora, todo o resíduo gerado tem destino centralizado na cidade.(M.F.C.)


