RESPONSABILIDADE DE TODOS Lixão a céu aberto é alvo de MP
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sábado, 09 de julho de 2011
Carolina Avansini <br>Reportagem Local 
Às margens da PR-090, em Bela Vista do Paraíso (Norte), a visão de um lixão a céu aberto com capacidade quase esgotada, onde misturam-se lixo urbano, materiais recicláveis, restos de podas e entulhos de construção civil, escancara a triste realidade enfrentada pelo município com relação à destinação dos resíduos sólidos descartados pela população. No local, não há proteção do solo ou tratamento do chorume. A formação de gases pela decomposição dos materiais provoca combustões espontâneas frequentes. Cachorros dividem restos de comida com garças e urubus.
Por conta da poluição, o Ministério Público (MP) ajuizou ação civil pública por crime ambiental contra o município no início do ano. Um acordo suspendeu a ação por três meses. Neste prazo, a Prefeitura terá de apresentar um plano de fechamento do lixão e projetar uma central de gerenciamento de resíduos, que inclua aterro sanitário de acordo com a legislação.
Outra ordem é a retirada de uma família que trabalha na separação de recicláveis no local. ''Estamos correndo contra o tempo'', admite Sidnei Carlos do Nascimento, chefe do departamento administrativo da Prefeitura. Segundo ele, o lixão está com capacidade esgotada.
O consultor Marcos Antonio de Freitas Rodrigues, tecnólogo em gestão ambiental de Ibiporã e que realizou projetos de adequação em vários municípios da região, atua na concepção do novo aterro e cita que o maior problema é a quantidade de material reciclável que ainda vai para o lixo. Em amostragens realizadas em outras cidades que enfrentam problemas semelhantes, ele constatou até 60% de material reciclável junto com o lixo recolhido pela coleta comum.
Gerenciamento crítico
Rodrigues denunciou que o gerenciamento dos resíduos sólidos é crítico em quase todas as cidades da Região Metropolitana de Londrina. ''O governo estabelece regras que os municípios pequenos não conseguem cumprir'', analisa. No caso de Bela Vista, por exemplo, que tem orçamento anual de R$ 22 milhões, o custo com a compra de um terreno acrescido de instalação da cerca, terraplanagem e aplicação da geomembrana para proteger o solo ficaria em torno de R$ 500 mil.
''São 5% do orçamento anual apenas para instalar o aterro. Fora isso, há um custo de aproximadamente R$ 20 mil mensais com equipamentos, funcionários e gerenciamento, pois se o sistema não for bem administrado, acaba se transformando em um novo lixão. É muito caro para um município pequeno'', pontua.
O consultor lembra que o plano de gerenciamento de resíduos sólidos deve contemplar, também, locais para destinação de entulhos da construção civil, poda de árvores e um programa de reciclagem. ''É um custo muito alto'', reforça.


