RESPONSABILIDADE DE TODOS Haverá fim para os lixões?
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sábado, 09 de julho de 2011
Mie Francine Chiba e Silvana Leão <br>Reportagem Local 
O Paraná ainda possui cerca de 200 aterros inconformes, segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Jonel Iurk. Por pressão do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, aprovado ano passado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, todos terão de deixar de existir até 2014. A nova política compartilha a responsabilidade pela destinação dos resíduos entre União, estados, municípios e iniciativa privada.
''Temos muitos aterros que, por questão econômica, acabam virando lixões a céu aberto'', lamenta o secretário. Segundo ele, o custo maior dos aterros diz respeito à operacionalização. ''Para construir um aterro, o custo pode ultrapassar R$ 200 mil. A operação mensal traz uma despesa de R$ 30 mil a R$ 40 mil. Dependendo do porte da cidade, fica difícil arrecadar isso.'' A maior dificuldade está nos municípios pequenos.
Iurk acredita, porém, que com a política de logística reversa do Plano Nacional de Resíduos Sólidos esta situação mude de figura. ''É uma obrigação de todos os geradores de embalagens de qualquer produto industrializado buscar de volta estes materiais.'' Para o secretário, esta é uma oportunidade para que o município deixe de assumir obrigações das grandes empresas. Segundo Iurk, a educação ambiental - tanto na separação do lixo quanto em redução do consumo - também pode minimizar o problema gerado pelos resíduos sólidos.
Levantamento feito no final de 2010 pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostra que, dos 399 municípios do Paraná, menos da metade (46%) tem aterro sanitário com requisitos técnicos capazes de evitar a poluição do ar, solo e águas subterrâneas. De acordo com o estudo, chamado de Indicadores de Sustentabilidade Ambiental, 26% dos municípios têm lixões e 27% contam com aterros controlados - com manta para evitar contaminação do solo pelo chorume, cobertura de argila para evitar contaminação do ar e muro de contenção, mas sem drenagem do chorume.
A pesquisadora do Ipardes, Ana Claudia Mueller, explica que os índices foram considerados ruins, porque o Paraná implantou o Programa de Desperdício Zero para Gerenciamento de Resíduos Sólidos que previa a eliminação total dos lixões até 2007. Porém, completa, os dados podem ser considerados satisfatórios se comparados com os índices brasileiros, revelados pela Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só 27% dos municípios do País têm aterros sanitários e 50% ainda mantêm lixões. O restante são aterros que não cumprem todas as normas ambientais.
Ana Claudia destaca que o Estado tem comemorado avanços pontuais, como os de Paranaguá. Até o ano passado, tudo era depositado a céu aberto. Hoje, a cidade já tem aterro controlado e está em vias de implantação do aterro sanitário. A principal dificuldade encontrada pelos gestores para a implantação destas estruturas para destinação e tratamento do lixo é o alto custo de manutenção. Por isso, a pesquisadora concorda que um dos caminhos mais viáveis são os consórcios intermunicipais.


