A infra-estrutura das unidades de terapia intensiva nos quatro grandes hospitais de alta complexidade de Londrina é semelhante. Segundo a enfermeira Sandra Paulena, da Santa Casa, cada UTI deve ter um plantonista e um enfermeiro por período e um auxiliar de enfermagem para cada dois pacientes.
Cada box tem, em média, 9 metros quadrados, onde são alocados além da cama e um armário de cabeceira, um monitor cardíaco, um oxímetro de pulso, um suporte de soro e um kit de oxigenoterapia, com umidificador e nebulizador. Também estão disponíveis um respirador e uma bomba de infusão para medicação controlada e cada UTI tem um desfibrilador e um leito isolado.
Pacientes de pós-operatório ficam separados de doentes infectados e sempre que um leito se torna vago, por óbito ou transferência de pacientes, é feita uma desinfecção terminal do box, inclusive com a lavagem das paredes. Segundo Sandra, os casos que normalmente precisam de UTI vão desde pós-operatórios simples ou de alta complexidade e pessoas com insuficiência respiratória ou problemas neurológicos. ''Cada UTI tem uma entrada diferenciada para evitar contaminação'', completa a enfermeira.
O pneumologista Denison Noronha Freire aponta que o grande causador de infecção hospitalar é o pneumococo, uma bactéria que convive harmonicamente com os homens. ''Quando o indivíduo apresenta queda de resistência, a bactéria se torna ativa no organismo'', explica Freire. Segundo ele, a infecção mais comum entre os pacientes infectados em hospitais é a pneumonia, cerca de 30%.
''Infecção hospitalar é aquela que o indivíduo apresenta em pelo menos 72 horas depois da internação. Qualquer infecção que se apresente antes deste período já estava incubada no paciente'', informa o pneumologista. Para ele, ''só vai ter infecção o doente que apresentar uma patologia de base, como diabetes, câncer ou aids, além de pessoas que fazem uso de substâncias imunodepressoras''.
Nos leitos de UTI, segundo Freire, os respiradores são a maior fonte de bactérias e as que mais se destacam são as pseudomonas (30% das ocorrências) e os estafilococos (20%). Ainda conforme o pneumologista, a pesquisa não conseguiu determinar a eficácia do uso de capas e luvas no controle da infecção hospitalar.
''Evitar a entubação, lavar as mãos sempre que tiver contato com o paciente, movimentar o doente para que ele não fique sempre deitado e aplicar um programa de controle da infecção são medidas mais eficazes'', sugere Freire.
Para ele, a condição ideal de esterilidade é não deixar ninguém entrar nas UTIs, principalmente crianças. ''Mas já ficou provado que o contato entre paciente e família facilita a recuperação e o fator psicossocial é importante'', completa o pneumologista. (M.G.)

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