Respeito e sigilo mútuos ajudam meninos carentes
Há aproximadamente um ano, os dependentes químicos que moram no Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina), incluindo as crianças e jovens, passaram a ter a oportunidade de falar sobre o seu dia-a-dia, seus problemas, desilusões e a amarga relação com o vício. As responsáveis pela iniciativa são a psicóloga Renata Santiago Vargas e a arte-educadora Marise Novaes Fernandes, que coordenam o Grupo Fênix de Valorização da Vida. O trabalho, voluntário, é baseado no respeito e no sigilo mútuos.
Falamos pouco sobre drogas e muito sobre o resgate da vida, define Marise Fernandes. Ela explica que é preciso entender a dinâmica da doença (o vício) e seus sintomas, que muitas vezes são vistos como consequências. A compreensão da doença faz com que deixemos de julgar e passemos a tratar. Não somos contra a punição, desde que ela seja feita paralelamente ao tratamento.
O grupo trabalha com cerca de 30 pessoas, uma vez por semana, em uma das salas do Centro de Atendimento à Criança e Adolescente (Caic) do União da Vitória. As coordenadoras explicam que não são feitos registros dos participantes, nem cobranças. Os resultados das atividades de ajuda mútua já são comemorados. Segundo elas, há casos de abstinência de até seis meses ao uso de drogas.
Em Londrina, os drogaditos são encaminhados, basicamente, para cinco instituições: o Movimento Evangélico de Recuperação de Vidas (Melvi), o Lar Jóia de Cristo, o Ministério Evangélico Pró-Vida (Meprovi), a Casa de Maria e o Recanto Maranata. Os dois primeiros foram fundados pelo Ministério Evangélico Cristo É Vida e são mantidos com a ajuda da comunidade. O Meprovi pertence à Igreja Presbiteriana Central, a Casa de Maria à Igreja Católica e o Recanto Maranata, um dos que trabalham só com meninas, sobrevive a muito custo com doações e ajuda de voluntários. Em todos eles, a condição para receber ajuda está no abandono do vício.
O Centro de Referência do Atendimento ao Adolescente de Londrina (CRAAL), fundado há quatro anos, não trata a dependência, mas tem entre seus pacientes usuários que ali têm a oportunidade de participar de oficinas ondem ficam sabendo dos riscos e dos males que o vício pode gerar. A redução de danos é um assunto que norteará algumas das atividades realizadas com os cerca de 500 jovens atendidos por mês. (S. L.)





