Respeito e ética
''Ninguém é igual a ninguém, não adianta querermos encaixar todo mundo no mesmo padrão de corporalidade, de crença religiosa, achar que todos são heterossexuais, porque não são.'' A frase é do psicólogo e professor universitário Marcio Neman, que trabalha na área de sexualidade e gênero desde 2002. Segundo ele, ainda há muita confusão em relação à homossexualidade. ''Acha-se, por exemplo, que ela está ligada à travestilidade, à incorporação do feminino, quando na verdade o que existe é uma variabilidade de formas de ser homossexual.''
Da mesma forma, Nemam lembra que existem diversas formas de ser mulher. ''O grande problema é que as pessoas não respeitam esta diversidade'', comenta. Segundo ele, a época é de quebra de paradigmas e muitos não sabem mais para onde caminhar. ''As pessoas não querem ver o óbvio, que é o fato dos homossexuais estarem presentes em muitas casas, nas escolas, nos ambientes de trabalho, em todos os contextos.'' Este fato, por si, já dá a dimensão do trabalho que pode ter sido perdido com o abandono do projeto das cartilhas contra a homofobia do MEC.
Um dos efeitos mais preocupantes do preconceito, de acordo com o pesquisador, é quando recai sobre adolescentes. ''Uma recente pesquisa canadense aponta que a maioria dos jovens que se suicidam (na proporção de três para um) tem orientação homossexual. É um desconforto muito grande para estes adolescentes. É diferente, por exemplo, do negro, que ao voltar para casa encontra familiares que também são negros e se solidarizam com ele. Já o garoto que sofre violência na escola, muitas vezes chega em casa e apanha do pai, que também não o aceita.''
O ponto fundamental, reforça o psicólogo, é o respeito. ''Ninguém quer que as pessoas coloquem uma travesti dentro de casa se não conseguem aceitá-las. Mas elas devem ser respeitadas. Isto tem que ser por lei. Deveríamos ser mais éticos que morais, mas infelizmente o que pesa mais na sociedade é a moral'', argumenta Neman. (S.L.)





