Respeitar a cultura indígena é essencial
Respeitar a diversidade cultural do índio é condição essencial para aqueles que trabalham ou pretendem trabalhar com adolescentes e jovens indígenas. Essa foi a principal orientação passada ontem a cerca de 40 participantes inscritos na oficina ''Adolescência, Juventude e Povos Indígenas'', durante o seminário que está sendo promovido em Londrina pela Associação Brasileira de Adolescência (Asbra).
Segundo as pesquisadoras do Programa de Atendimento aos Kaingang da Secretaria Municipal de Ação Social, Marlene de Oliveira e Marilda Mohatsu, sem respeitar a cultura específica dos povos indígenas é impossível conseguir adesão em projetos de prevenção e atenção à saúde. ''O universo da cultura indígena é simbólico e todos os saberes deles são fruto dessa cultura e permeiam toda a sua existência'', aponta Marlene. O objetivo da oficina, segundo a pesquisadora, foi justamente tentar sensibilizar os participantes sobre como trabalhar com essa cultura distinta e específica do jovem indígena.
Para o índio, completa Marlene, ''sexualidade é tabu''. Mesmo assim, ela lembra que estando próximos de centros urbanos, eles estão tão sujeitos quanto os adolescentes brancos de contraírem doenças sexualmente transmissíveis e Aids (DST/Aids). No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, já foram registrados 102 casos de Aids entre índios. A pesquisadora cita como exemplo a cultura Xavante, que entende que o sêmen é que dá força ao filho, e que este pode ser aproveitado pelo organismo da mulher mesmo que a relação não resulte em gravidez. Daí o preconceito em relação aos preservativos.
Conforme as pesquisadores, as ações desenvolvidas só dão resultados positivos quando se entende esses particularismos e se busca a adesão da comunidade às iniciativas. ''As políticas públicas (voltadas às comunidades indígenas) têm que entender essas distinções'', reforça Marlene. (L.A.)





