Resolução pode baixar preço dos genéricos
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sexta-feira, 20 de setembro de 2002
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Profissionais da área de farmácia esperam para os próximos anos um aquecimento do mercado de similares e genéricos. Um acirramento da concorrência, que implicaria na oferta de produtos melhores a preços menores, seria resultado de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que está em consulta pública (aguardando críticas e sugestões) desde o dia 15 de agosto e será posta em prática a partir de 27 de setembro, em formato definitivo.
A decisão estabelece que medicamentos similares, cópias de remédios patenteados cujo prazo de exclusividade já tenha vencido, passem por testes de equivalência antes de serem postos no mercado. As indústrias nacionais terão prazo médio de cinco anos para adaptar todos os seus similares a essa condição. ''O que acontece é que o paciente que compra esse tipo de remédio terá uma garantia da sua qualidade e eficiência, como o genérico já apresentava'', explica Rosângela Silva de Alencar, assistente de informação de medicamentos genéricos da Anvisa.
Os remédios que circulam no mercado obedecem a uma hierarquia: em primeiro lugar, estão os produtos de referência, mais caros porque são comercializados apenas pelos laboratórios que o desenvolveram e o patentearam; em segundo, aparecem os genéricos, que passam por testes de bioequivalência e biodisponibilidade para provar que possuem o mesmo princípio ativo do produto original; e, por último, os similares, que são cópias dos remédios de referência, não são obrigados a passar por testes, o que diminui seus preços, e têm eficiência regularmente discutida.
Farmacêuticos de todo o Brasil acreditam que o novo padrão de qualidade dos similares deve atingir o mercado dos genéricos, que passarão por uma tendência de barateamento. ''Se os custos de confecção dos similares vão subir devido à exigência do teste, muitas indústrias talvez optem por fabricar genéricos. E, num mercado competitivo, o preço do similar, que é mais barato, deve se manter. Muitos genéricos que já existem devem abaixar o preço também'', diz Rubens Augusto, gerente de uma farmácia em Londrina.
Ele explica que muitos medicamentos genéricos e similares já estão ''no limite do preço baixo'' e que quem ganha com isso é o consumidor. ''Mesmo produtos originais de marca estão diminuindo o preço para competir com os genéricos. O Roacutam, da Roche, baixou de R$ 160 para R$ 119 em poucos meses, porque o genérico custa R$ 100'', explica Augusto.


