Londrina

Mário CésarBalanço ao telefoneLeonyl Ribeiro ontem na 10ª SDP: ‘Exagerei em alguns casos, fui omisso em outros, mas a intenção era boa’nbsp;Exatamente um ano e três meses após ter assumido a chefia da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, o delegado Leonyl Ribeiro exerceu ontem o último dia no cargo. Sorridente e demonstrando tranquilidade, o delegado passou boa parte da manhã atendendo ligações telefônicas, entre as quais de representantes de entidades locais, que manifestavam solidariedade. ‘‘Sei que exagerei em alguns casos, em outros até fui omisso, mas a intenção era boa’’, comentou o delegado, durante conversa ao telefone com uma delegada.
Leonyl Ribeiro, que será substituído pelo delegado-adjunto da 10ª SDP, Wanderci Corral Fernandes - a posse está marcada para 10 horas de hoje, no Hotel Crystal -, pretende tirar 30 dias de férias. Somente depois, disse ele, deverá discutir sobre a função que irá exercer. Ele não confirmou a informação do delegado-adjunto da Polícia Civil do Interior, Guido Carvalho, de que deveria assumir a chefia da Corregedoria da Polícia Civil, em Curitiba. ‘‘Não está nada definido. A gente trabalha em qualquer lugar. Não faço questão de cargo, nem de cadeira’’, disse.
O delegado comentou que sua substituição foi motivada por ‘‘uma série de fatores’’ e que sua saída já vinha sendo cogitada há algum tempo. ‘‘Para mim não foi novidade porque sabia que tinha um período não muito longo em Londrina’’, disse, referindo-se a ‘‘resistências dentro e fora da delegacia’’ e também decorrentes das rebeliões e fugas nos distritos causadas pela superlotação de presos.
O delegado, que ajudou o município a cobrar providências do governo estadual para os problemas de superlotação nos distritos policiais da Cidade, disse que o fato de estar ocorrendo fugas e rebeliões ‘‘não é culpa nossa’’. Ele comentou que, se os ladrões não fossem presos, não haveria superlotação nos DPs. ‘‘Mas entre deixar os ladrões nas ruas, assaltando a população, e deixá-los nos distritos fazendo rebelião, preferimos a segunda opção.’’
O resultado do trabalho comandado por Ribeiro pode ser atestado através de um relatório de crimes contra o patrimônio. O relatório demonstra a queda acentuada nos índices de ocorrências desde o início do ano. ‘‘Curitiba não recebia essas informações. Serviam apenas como espelho para eu avaliar se estava ou não atingindo meus objetivos’’, disse.
Leonyl Ribeiro admite que a situação nos distritos ficou mais tumultuada a partir do início das reformas dos prédios, mas observa que deverá ir se normalizando aos poucos, com a conclusão das obras. ‘‘Infelizmente não vou ver a prisão provisória pronta, o fim das fugas e rebeliões, nem a delegacia de antitóxicos funcionando.’’ O delegado tinha planos de, após o funcionamento da prisão provisória, desativar a carceragem de alguns DPs, e aproveitar o pessoal criando delegacias especializadas.
O delegado enfrentou resistências logo que assumiu a 10ª SDP, ao substituir o então delegado-chefe Clóvis Galvão, afastado após denúncias de envolvimento com o golpe conhecido como ‘‘três por um’’. Em menos de dois meses na função, afastou e removeu policiais envolvidos em extorsão, roubos e nos golpes ‘‘três por um’’ e do ‘‘chute’’. Apesar de enfrentar pressão dos superiores, afirmou em entrevista à Folha, na época, que continuaria a ‘‘limpar’’ a 10ª SDP e a cobrar mais empenho dos policiais. ‘‘Temos uma posição e sempre nos pautamos pela honestidade nesses 30 anos de carreira.’’
Ribeiro acredita que seu sucessor, o delegado-adjunto Wanderci Corral Fernandes, não terá problemas para chefiar a 10ª SDP. ‘‘Ele faz um trabalho quase igual ao nosso’’, disse. ‘‘Conhece bem a Cidade, os problemas e terá facilidade para conduzir as ações.’’

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