Resíduos podem deixar de ser vilões
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quarta-feira, 08 de outubro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Cinco anos depois do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) editar uma resolução disciplinando a gestão de resíduos na construção civil, a redução e destinação adequada desse material começa a virar realidade. Em Curitiba, o gerenciamento correto das sobras de obras civis tornou-se parte fundamental do processo de emissão do alvará de construção desde 1º de junho. "Quem gera o resíduo é o responsável pela correta destinação dele", informa Mário Sergio Rasera, superintendente de Controle Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Uma construção de mil metros quadrados como, por exemplo, um prédio residencial, gera cerca de 42 metros cúbicos de resíduo, segundo o engenheiro sanitarista Carlos Edson Waltrick, do Centro de Tecnologia em Saneamento e Meio Ambiente do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), unidade CIC. São restos de caliça, madeira, metais, plástico, papel e vidro, entre outros, que não podem ser encaminhados para os aterros tradicionais. "A empresa que se compromete com a gestão de resíduos tem que não só destinar corretamente as sobras, mas também investir na redução do que é gerado", explica Waltrick.
Economia
No entanto, diz o engenheiro, gerenciar os resíduos não significa aumentar custos. "Tratar o que sobra da obra com cuidado pode até significar economia para a empresa", diz. Isso porque parte do trabalho de gestão é composto pela separação dos materiais por tipo. "Por exemplo, uma das ações do programa é separar os restos de madeira por tamanho. Isso permite que quando for necessário um pedaço de madeira, os trabalhadores da obra podem recorrer ao material que foi separado ao invés de utilizar uma tábua nova", explica.
Para o administrador Eliseu Marques, da Bora Construções, a novidade não traz ganhos financeiros, mas faz diferença. "O lucro disso é deixar de gastar, deixar de desperdiçar material", diz.
Na Bora, com a implantação do plano de gestão dos resíduos, o volume de restos produzidos na obra já caiu 20%. "A perspectiva é chegar a 70% de redução. "Estamos no começo ainda, mas já dá para ver a diferença no dia-a-dia da obra. O número de caçambas que circulam pelo local, por exemplo, diminuiu", explica.
A Bora implantou o plano de gestão de resíduos pela primeira vez em uma obra de 5 mil metros quadrados que está em execução. "No futuro vamos expandir para todos os nossos canteiros de obras", adianta Marques.
A apresentação de projetos de gerenciamento de resíduos só é obrigatória em empreendimentos com área superior a 600 metros quadrados ou superior a 100 metros quadrados em caso de demolição. "Mas, mesmo em obras que estejam dispensadas dessa exigências, vamos implantar o programa", diz.


