Residentes do HU e HC entram em greve
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
Menos de uma semana após conseguir finalizar a reabertura de vários setores, entre eles Pronto-Socorro, Maternidade e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que foram infectados no final do mês passado pela bactéria multirresistente Klebsiella KPC, o Hospital Universitário (HU) de Londrina foi comunicado, ontem, que terá outro desafio pela frente: a paralisação, a partir da próxima sexta-feira e por tempo indeterminado, dos residentes de medicina. Só no HU e Hospital de Clínicas (HC), ambos ligados à Universidade Estadual de Londrina (UEL), atuam 154 residentes, que atendem na instituição sob supervisão dos professores.
A greve faz parte de movimento nacional, que está sendo deflagrado hoje na maioria dos estados, sob coordenação da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR). Segundo a instituição, há 22 mil residentes no País atuando nos serviços ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A categoria reivindica reajuste de 38,7% na bolsa-auxílio, congelada desde 2006 em R$ 1.916,45. Desde abril, os residentes tentam negociar com os ministérios da Saúde e da Educação, mas não houve, de acordo com a ANMR, proposta que assegurasse valorização dos profissionais e proporcionasse melhores condições na formação.
Além de reajuste na bolsa, a pauta de reivindicações dos médicos residentes inclui pagamento de auxílio moradia e auxílio alimentação e do adicional de insalubridade, respeito ao reajuste anual, instituição da 13 bolsa-auxílio e aumento da licença maternidade de quatro para seis meses.
Durante a paralisação, serão mantidos 30% dos residentes na prestação de serviços essenciais (urgências, emergências e UTIs).
Reflexos
O presidente da ANMR, Nivio Moreira, lembra, em texto divulgado no site da entidade, que, a rigor, os hospitais não podem depender dos serviços dos residentes, mas na prática a história é outra. ''Não temos como estimar o volume de cirurgias, procedimentos e consultas que corre o risco de cancelamento.''
Embora já comunicada sobre a paralisação, a superintendência do HU - a quem está submetida a direção do HC - não se manifestou sobre o assunto, até o fechamento desta edição. O gerente do Samu e do Siate em Londrina, Elândio Cléber Câmara, acredita que o movimento vai interferir no atendimento do pronto-socorro.
''Os residentes atendem um grande número de pacientes, sob supervisão do médico plantonista. E há determinadas especialidades, como ortopedia, pediatria, ginecologia, pronto-socorro cirúrgico e pronto-socorro em clínica médica, em que a negociação de leito é feita diretamente com os residentes. Por isso a paralisação vai refletir no nosso trabalho sim'', afirma Câmara.


