A internet foi usada por um grupo de ex-estudantes e estudantes que fazem residência no Hospital Universitário de Londrina para divulgar mensagens racistas, discriminatórias e preconceituosas contra funcionários, professores e pacientes. Em duas comunidades de internautas criadas em outubro do ano passado no Orkut ''Eu odeio os trolls (funcionários)'' e ''Não aguento mais o HURNP (sigla do hospital)'' um dos estudantes escreveu que a única solução para se livrar deles ''seria fechar todas as saídas do hospital e explodir uma bomba lá dentro''. Um outro usou a expressão ''macaca'' para se referir a uma funcionária.
O Conselho Regional de Medicina (CRM) deve receber formalmente hoje a denúncia, que também foi encaminhada à Reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
As mensagens foram escritas entre outubro do ano passado e abril deste ano. Somadas, as duas comunidades têm 154 membros. Ambas foram tiradas do ar na última semana. Os comentários estavam acompanhados das fotos dos autores. Segundo uma fonte da Folha, o material teria sido divulgado por uma ex-namorada de um dos estudantes.
Um residente explica que o nome ''trolls'' para se referir aos funcionários teria surgido em meados de 2001, no sexto ano de medicina da UEL. Um estudante teria descoberto a palavra numa revista em quadrinhos e significaria ''seres abomináveis e extremamente repugnantes, comedores de carne humana''.
Numa ''eleição dos funcionários mais odiados'', um residente classifica uma funcionária de ''macaca de 15 arrobas''. Outro se refere a funcionários usando expressões como ''bicha da noite'', ''vesgo do elevador'', ''orangotango'', ''traveco'', ''prenhas nojentas''. Um outro residente dá uma definição do termo ''troll'': ''seres repulsivos que desaparecem durante os períodos de café''. ''É todo ser de vestuário azul desbotado, corpo oblongo, nomes 'xulos', sotaque paroxítono, comportamento social e alimentar bizarro'', escreve outro.
Em nota, a direção do HU esclarece que ''recebeu, recentemente, denúncia sobre parte do conteúdo divulgado no site Orkut que, através de expressões inadequadas e desrespeitosas, faziam referências a membros da comunidade do HU e também a pacientes''. Informa ainda que foram tomadas as providências administrativas cabíveis no caso, encaminhando o fato à comunidade acadêmica, aos conselhos regionais de Medicina (CRM) e Enfermagem (Coren) do Paraná. No entanto, o CRM afirmou que deve receber apenas hoje a denúncia. Além disso, ''a direção do HU também solicitou parecer da Procuradoria Jurídica do Hospital que, em seguida, encaminhou o processo à reitoria da UEL''. O Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde (Sinsaúde) divulgou uma nota de repúdio.
O presidente da Associação dos Médicos Residentes de Londrina (Amerel), Marcelo Cichocki, afirmou que entre 15 e 20 pessoas estariam envolvidos. Ele disse que assim que soube das mensagens exigiu a retirada da página da internet e realizou uma reunião explicando as responsabilidades cível, criminal e administrativas a que todos estão sujeitos. ''Encaminhamos uma carta à direção de enfermagem do HU mostrando que a Amerel não se responsabiliza pelos atos individuais praticados pelos residentes. Nossa associação repudia esse tipo de atitude'', destacou Cichoki.

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