Marcelo Almeida/Folha de LondrinaVolpato: ‘Mudanças ferem a transparência do concurso, porque a avaliação da entrevista é feita por critérios subjetivos’Acadêmicos de Medicina e residentes do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná estão questionando os critérios de avaliação utilizados no concurso de residência médica do HC. Segundo eles, uma alteração prevista para o próximo concurso tornará a avaliação muito subjetiva e capaz de prejudicar um candidato melhor preparado em benefício de outro ‘‘mais simpático’’.
A mudança consistiria na alteração da escala de pesos atribuídos a cada uma das provas. Segundo o presidente da Associação dos Médicos Residentets do HC, Richard Volpato, atualmente as provas geral e específica têm peso dois cada uma, enquanto a análise do currículo e a entrevista têm peso três. A partir do próximo concurso, a entrevista passaria a ter peso quatro e o currículo, peso dois.
‘‘Essas mudanças ferem a transparência do concurso, porque a avaliação da entrevista é feita por critérios subjetivos, que permitem favorecimentos ou perseguições’’, afirma Volpato. Segundo ele, as bancas examinadoras para as entrevistas costumam ser formadas por professores do curso de Medicina. ‘‘Um aluno que passe o curso todo bajulando o professor poderá ser beneficiado’’, diz.
O diretor do corpo clínico do HC, Niasi Ramos Filho, nega que as regras tenham mudado. Segundo ele, a entrevista ‘‘sempre teve peso quatro’’. ‘‘A entrevista e o currículo são instrumentos mais fiéis para avaliar um candidato e definir seu perfil do que meramente uma prova’’, diz. Ramos diz que a contestação dos critérios envolve interesses políticos da Associação dos Residentes, ‘‘no momento que o HC começa um período de reestruturação’’.
A associação e o Diretório Acadêmico Nilo Cairo, do curso de Medicina da UFPR, entraram com processo sobre o assunto no Conselho de Ensino e Pesquisa da universidade. No último concurso de residência, em janeiro, 552 candidatos disputaram 123 vagas.

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