Ocupação começou na sexta-feira, mas nesta terça ainda havia muitas pessoas transportando a mudança
Ocupação começou na sexta-feira, mas nesta terça ainda havia muitas pessoas transportando a mudança | Foto: Celso Pacheco



O Residencial Flores do Campo, empreendimento do programa federal Minha Casa Minha Vida e cuja obra está parada há dois anos, foi ocupado há cinco dias por centenas que pessoas. A Caixa Econômica Federal informou que já entrou com ação de reintegração de posse e aguarda a decisão judicial.
Logo ao chegar ao local, no prolongamento da Avenida Saul Elkind, a reportagem percebeu uma pessoa que controlava quem poderia entrar ou sair do residencial. O projeto previa a construção de 1.218 unidades (entre apartamentos e casas), que chegaram a ser erguidas. Mas falta infraestrutura básica, como rede de esgoto, energia elétrica, abastecimento de água e pavimentação asfáltica.
As pessoas ouvidas pela reportagem se declararam impacientes com a demora para a conclusão da construção. Muitas alegaram que estão há anos na fila da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). As primeiras pessoas chegaram ao local na sexta-feira passada (20 de setembro), pouco antes das eleições. Ninguém quis explicar como o movimento começou, mas várias pessoas disseram que a ocupação foi combinada via WhatsApp.
A vendedora autônoma Kelly Cristina Mariano, de 36 anos, relatou que recebeu a mensagem de uma amiga. "Ela falou ‘Vamos, Kelly!’ e eu resolvi vir, porque estava difícil pagar o aluguel", contou a ex-moradora do Conjunto Violim (zona norte), onde pagava R$ 600 de aluguel. "Eu cheguei aqui na sexta-feira, por volta das 23 horas. O pessoal foi pintando o nome das pessoas na fachada das casas, para impedir que outras pessoas tomassem posse daqueles imóveis", informou.
Questionada sobre a falta de estrutura, ela alegou que isso não é problema, já que muitos vizinhos da ocupação são pedreiros, eletricistas e encanadores e se dispuseram a ceder a mão de obra para ajudar a comunidade recém-criada.
O vaivém das pessoas é similar ao de um bairro populoso consolidado. Para onde se olhava havia muitos carros, alguns de valores mais altos, modelos 2012, contrastando com automóveis mais antigos, da década de 1980. Todos eles carregando a mudança, com muitos móveis, máquinas de lavar, fogões e outros eletrodomésticos.
A dona de casa Nelma Pezzoti, de 50, disse que morava em uma outra invasão, no Conjunto João Paz (zona norte), mas a prefeitura removeu todas as famílias de lá. "Eu não tenho casa e até vir para cá estava morando de favor." O desempregado João Vitor Rafael, de 20, garante que o movimento não teve motivação política. "Eu pagava R$ 550 de aluguel, mas para quem não está trabalhando fica difícil pagar esse valor e cuidar da esposa e filhos", aponta.
Diante da informação da ação de reintegração de posse, a dona de casa Fernanda Cristina Guimarães, de 36, questiona. "Mas onde vão jogar esse povo todo? Teve gente que já devolveu a casa e já trouxe toda a mudança para cá."
Inicialmente o movimento atraiu pessoas dos bairros mais próximos do empreendimento, localizados na zona norte, mas logo surgiram pessoas do Leonor e Santa Rita, que ficam na zona oeste.

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