O condomínio do residencial Santos Dumont, no conjunto Ernani Moura Lima (zona leste de Londrina) precisou pedir a proteção da Polícia Militar para poder mudar o sistema interno de fornecimento de água. Os moradores decidiram ‘‘cortar’’ a água de quem não paga o condomínio. Com sérios problemas de inadimplência desde quando começou a ser habitado, em 95, o condomínio acumulou uma dívida que já supera a casa dos R$ 60 mil com a Sanepar.
‘‘Recebemos ameaça de morte de alguns moradores atrasados que não gostaram da medida. Já tentamos todos os caminhos para que colocassem suas dívidas em dia e nada. Era isto ou todo mundo ficaria sem água’’, argumenta a vice-síndica, Helena Barbosa. Segundo ela, os funcionários também foram ameaçados.
A decisão de mudar o sistema de distribuição interna de água foi tomada em assembléia dos moradores realizada na semana passada. Eles criaram um sistema alternativo que controla o abastecimento de água bloco a bloco, em cada apartamento. Ainda sexta-feira, os encanadores conseguiram fazer a alteração em dois blocos. Helena Barbosa explica que das 345 famílias que moram no residencial, apenas 163 pagam em dia o condomínio.
O condomínio negociou com a Sanepar o parcelamento da dívida em três vezes, mas a arrecadação de fevereiro foi inferior à primeira parcela devida a empresa - R$ 20 mil. Foram arrecadados R$ 9 mil. ‘‘A solução foi pagar apenas uma conta de água mas, para isto, tivemos de atrasar o pagamento dos nossos funcionários que, até agora, não receberam. A situação é caótica’’, afirma.
Helena Barbosa esclarece que a única solução para o condomínio se tornar viável é aumentar a arrecadação cobrando de quem deve e reduzir o gasto de água. Os moradores gastam, em média, R$ 10 mil com água. Os moradores ainda decidiram pelo racionamento de água. O registro geral fica fechado das 14 às 17 horas e das 24 às 5 horas da manhã. A expectativa é economizar mais de 40% de água com estas medidas.
Nem todos os moradores inadimplentes discordam do corte de água. ‘‘Se a gente morasse em uma casa e não pagasse a Sanepar, também ficaria sem água. É justo’’, defende um deles, que preferiu não se identificar. Casado e com uma filha pequena, ele se mudou para o residencial há cerca de 10 meses. Ficou desempregado na sequência e há 7 meses não paga o condomínio. ‘‘Ainda não sei como vou fazer quando cortarem a minha água; mas estou tentando arranjar dinheiro para pagar, pelo menos, uma parte do que devo.’’
O condomínio reclama que a maior inadimplente é a própria Cooperativa Habitacional Bandeirantes (Cohaban) de Londrina, incorporadora do residencial. Ao todo, o residencial tem 27 blocos de apartamentos - apenas 24 deles habitados. Nos blocos habitados apenas 80% dos apartamentos estão ocupados.
‘‘A Cohaban é responsável por todos estes apartamentos e é obrigada a repassar os condomínios referentes a eles, mas nunca pagou nada’’, complementa. O condomínio vai entrar na justiça contra a empresa para tentar receber os condomínios atrasados. A Folha tentou ouvir a Cohaban, mas não houve retorno das ligações.

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