Resgate de vítimas deve levar uma semana
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domingo, 01 de outubro de 2006
Folhapress 
São Paulo - O trabalho de resgate das vítimas do acidente com o Boeing da Gol que caiu sexta-feira em Mato Grosso deve levar uma semana, segundo o presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi. O avião, que fazia o vôo 1907, transportava 149 passageiros e seis tripulantes e, segundo a Aeronáutica, é ''remotíssima'' a chance de haver sobreviventes. Trata-se do pior acidente da aviação brasileira.
Ontem, a FAB (Força Aérea Brasileira) enviou mais 28 militares para Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso, onde foram encontrados os destroços do Boeing 737-800. Ao todo, já são 75 militares envolvidos nos trabalhos, baseados na fazenda Jarinã, além de índios caiapós.
O avião, que havia saído de Manaus com destino ao Rio, deveria fazer uma escala em Brasília. Ele perdeu contato por volta das 17h de sexta, após um incidente não esclarecido com um jato executivo Legacy, fabricado pela Embraer. As equipes de resgate chegaram ao local aproximadamente 20 horas após o horário estimado da queda. Os destroços do avião foram encontrados por volta das 9h de ontem, em uma área de mata muito fechada, a 200 km do município de Peixoto de Azevedo (MT).
O presidente da Anac disse que a possibilidade de as equipes de resgate encontrarem sobreviventes é pequena. ''A expectativa está ficando menor.''
As buscas começaram ontem. Com a dificuldade de atravessar a mata a pé, dois militares foram lançados de pára-quedas e outros desceram de helicópteros por meio de rapel para buscar sobreviventes. Índios caiapós também ajudam na busca.
A causa da queda do Boeing teria sido uma colisão com um jato executivo Legacy, fabricado pela Embraer, que seguia para os Estados Unidos. A aeronave transportava sete pessoas -piloto, co-piloto, dois funcionários da Embraer, um jornalista do ''The New York Times'' e dois funcionários da Excel Aire, empresa que comprou o jato.
Em depoimento, os pilotos disseram não ter visto o Boeing. ''Viram uma sombra e (ouviram) um barulho'', disse Zuanazzi. Para ele, o fato pode ser justificado pela velocidade das duas aeronaves no momento da colisão.
A caixa-preta do Legacy seguiu hoje para análise em São José dos Campos (SP). Segundo o presidente da Anac, apenas a análise da caixa-preta pode dar um ''acabamento'' melhor para se chegar às causas do acidente.
Este é o primeiro acidente grave na história da Gol, que começou a voar no início de 2001, e o maior da história do país. Antes, o pior acidente havia sido registrado em junho de 1982, quando um Boeing 727-200 da Vasp bateu em uma montanha da serra de Aratanha, a 30 quilômetros de Fortaleza, causando a morte de 137 pessoas.
Segundo o tenente-brigadeiro José Carlos Pereira, piloto experiente, é preciso descobrir o motivo de dois aviões bem equipados e novos estarem no mesmo nível, quando deveriam estar a uma distância mínima de 300 metros. ''São aviões com equipamentos anticolisão. Precisamos saber por que eles não evitaram o acidente'', disse o tenente-brigadeiro.


