Resgate de caminhões inclui até avião
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Valmir Denardin 
Três empresários paranaenses que tiveram caminhões roubados no Paraguai investiram pelo menos R$ 10 mil para recuperar os veículos, em uma oficina clandestina nos arredores de Assunção. O grupo chegou a alugar um avião para sobrevoar a região e localizar a oficina. O valor total dos três caminhões - todos da marca Scania e pertencentes a um empresário de Foz do Iguaçu e dois de Cascavel - chega a R$ 220 mil.
Os caminhões haviam sido roubados há cerca de duas semanas por grupos armados, quando chegavam à capital paraguaia com cargas procedentes do Brasil. Para recuperá-los, os donos pagaram a informantes e contrataram um avião de pequeno porte - com capacidade para três passageiros - para sobrevoar toda a região de Assunção.
Segundo Saulo Ivo Lamb, de 42 anos, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Foz do Iguaçu (Sindifoz) e dono de um dos veículos recuperados, foram pagas mais de dez horas de aluguel do aparelho. Ele não quis revelar valores, mas a Folha apurou que o aluguel de um avião desse porte não custa menos que R$ 500,00 a hora.
A oficina clandestina fica em Capietá, uma cidade nos arredores de Assunção. Depois de localizá-la, os empresários avisaram a polícia e a Justiça paraguaias, que foram até o local e prenderam 11 pessoas. Os caminhões foram devolvidos aos donos. Um quarto caminhão brasileiro encontrado na oficina, roubado no Estado de São Paulo, não havia sido reclamado até ontem. Todos os caminhões estavam sendo maquiados, com a troca de cor e adulteração no chassi.
Prisões Além dos 11 presos em Capietá, sete oficiais da Polícia Nacional em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, estão detidos, sob a acusação de integrar a quadrilha. Entre os presos estão o chefe departamental da Polícia Nacional, Antoliano Romero Cuenca, e o chefe de Investigações, Cristóbal Jara Sosa.
Na casa de Cuenca foram encontrados 11 carros que teriam sido roubados no Brasil, além de 33 placas, também brasileiras. O substituto de Cuenca, Pedro Dimas Ovelar, tomou posse ontem, prometendo ser rigoroso para impedir que membros da corporação se envolvam em crimes.
Ontem, a Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu recebeu da Polícia Nacional paraguaia a lista com as 33 placas (relativas a 22 veículos) encontradas na casa de Cuenca. O delegado Eudes Carneiro disse que a PF vai investigar a possível participação de brasileiros na quadrilha.


