Resgatando o gosto da infância
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terça-feira, 03 de julho de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Dizem que depois que as crianças crescem, muda apenas o preço dos brinquedos. São várias as opções para divertir os adultos, mas alguns preferem guardar com carinho objetos da infância, seja os próprios brinquedos, instrumentos musicais e até automóveis.
Quando o médico veterinário Rodrigo Gusmão e a psicóloga Luciana Gusmão se casaram, juntaram não apenas as escovas de dentes mas os brinquedos de cada um. Genius, forte apache, bonecas e falcons, cubo mágico e projetor de histórias são apenas alguns exemplos de uma coleção cujo total nunca foi determinado, mas são vários itens.
Agora com duas filhas, Luiza, 10 anos, e Giovana, de sete, o casal conta que somados aos das meninas, os brinquedos ocupam todo um cômodo da casa, mesmo sendo doados periodicamente. Alguns, entretanto, são exclusivos para uso dos adultos, como a coleção de bonecos Falcon, de Gusmão, que além de três bonecos - inclusive um raro exemplar que mexe os olhos -, e seus inúmeros acessórios, conta também com jipe, helicóptero, moto voadora e até uma águia com asas articuladas.
''Parece uma barbie de menino'', exclama a filha mais velha, ao ver todos os soldados de plástico e acessórios pela primeira vez, tirados das caixas exclusivamente para as fotos desta reportagem. ''O primeiro boneco ganhei quando tinha seis anos e depois fomos comprando os outros. O que mais admiro é a riqueza e perfeição dos detalhes e o fato de que depois de comprado um boneco, a gente podia ir adquirindo apenas as roupas e armas e tinha um monte de histórias diferentes.''
Apesar de tanto cuidado, com o tempo os bonecos foram quebrando as articulações e hoje estão aos pedaços, cuidadosamente guardados, enquanto o veterinário tenta encontrar as peças que faltam. ''Já procurei em vários lugares, até consegui restaurar algumas vezes, mas eles acabam quebrando novamente'', lamenta.
Luciana tem um carinho especial pelo ''Serginho'', um boneco de plástico, não articulado, que ela ganhou aos quatro anos. ''Tinha também o 'Serjão', que era um pouco maior, mas não sei o que foi feito dele. Eu nem sei o nome que esses bonecos tinham e dei esses.'' Ao contrário do marido, Luciana permite que as crianças brinquem não só com Serginho mas também com o Genius, um jogo eletrônico de várias sequências de luz e som, que devem ser repetidas pelos jogadores e que fazem sucesso com as garotas. ''Brincamos todos juntos com esse jogo, é muito legal.''
Luciana explica que o maior motivo para guardarem os brinquedos com tanto carinho é a recordação que cada um deles traz. ''É muito bom brincar com as meninas com eles. Adoramos fazer essa interação e, além dos nossos brinquedos, também brincamos juntos com os jogos eletrônicos mais modernos, ou seja, vamos da década de 1970 até hoje'', diz Luciana.
Gusmão afirma que apesar da fama de ciumento com seus brinquedos, já conseguiu se desfazer de alguns, que renderam histórias curiosas. ''Tentei doar uma vez um Atari, bem antigo. Quando um rapaz viu o que eu estava fazendo, não acreditou. Ele pesquisou em um site de vendas quanto o videogame custava, fez um cheque do mesmo valor e mandou comprar em brinquedos novos para serem doados e ficou com o videogame para ele'', explica, mostrando que brinquedo é, sim, coisa de adulto, principalmente se trouxer de volta o gostinho da infância.


