Soma/NYPara a posteridadeEm 20 anos, quase 800 paranaenses já trabalharam no estado americano de Connecticut; brasileiros ganharam fama de dedicação e coragem NEW LONDON - Os trabalhadores mais requisitados pelas construtoras de obras rodoviárias em Connecticut, estado vizinho de Nova York, são os paranaenses. Em 20 anos, quase 800 já trabalharam nas empresas da região, 600 deles oriundos do município de Reserva, sempre deixando fama de dedicação e coragem. Os três pioneiros foram Ariel, Lindomar e Geraldo, cujos sobrenomes a história esqueceu.
‘‘Os brasileiros são ótimos, eles nunca recusam tarefas, substituem os americanos nos trabalhos mais arriscados, aceitam salários menores’’, diz Tom Coldwell, encarregado da empresa construtora da ponte da rota 95, na altura de cidade portuária de New London.
Mesmo recebendo salário menor do que os gringos, um operário brasileiro ganha quase 40 vezes mais do que o mínimo da terrinha. Os trabalhadores paranaenses nas rodovias americanas ganham até US$ 5 mil mensais, livres das despesas de passagens, casa e comida.
Cada um deles fica de um a três anos no país. Quando um deles volta para casa, vende a vaga para parentes ou amigos. As vagas custam entre US$ 5 mil e US$ 10 mil, dependendo do grau de amizade entre os que as negociam. Elas são pagas com os primeiros salários do comprador.
O filão operário no paraíso capitalista foi descoberto no final dos anos 70. O número de trabalhadores varia de acordo com as dificuldades econômicas do Brasil. Como os três pioneiros do ramo eram de Reserva, esta cidade acabou fornecendo o maior número de imigrantes à nova colônia. Quanto a Ariel, Lindomar e Geraldo, embora todo expatriado reverencie seus nomes, ninguém sabe onde eles andam hoje.
Nos canteiros de obras de Connecticut, os demais brasileiros costumam dizer que existe uma ‘‘máfia paranaense’’, no bom sentido. ‘‘Dizem isso porque somos muito unidos’’, conta Luís Losekan, de União da Vitória. ‘‘É o melhor jeito de viver numa terra estranha’’.
Soma/NYFilão operárioOperários vestem roupas de proteção. Trajes de segurança no mercado informal e salário livre de despesas com alimentação, transporte e moradia
A vida deles é de cidadãos do Primeiro Mundo. ‘‘Aqui, temos um padrão elevado’’, conta Mário Espinel, 24 anos, de Clevelândia. Ele mora com mais quatro paranaenses numa república, em Hartford.
A república é de luxo. A turma de Espinel paga US$ 750,00 de aluguel por um casarão com seis quartos, com toda mordomia: telefone, computador, videocassete, máquina de lavar, lava-louças, ar condicionado e calefação. Cada um tem seu carro, congestionando o pátio. ‘‘É o céu, pois eu cresci num cortiço’’, lembra Espinel, sem saudades de casa.
O único inconveniente é viver na clandestinidade. O perigo da deportação ronda os operários, especialmente depois da entrada em vigor da nova lei de imigração, no mês passado. A maioria dos paranaenses está ilegal no País. No serviço, eles só não temem os agentes do Serviço de Imigração porque as empresas construtoras, que precisam da mão-de-obra barata dos brasileiros, acabam dando um ‘‘jeitinho americano’’ na situação.

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