O Reservatório São Francisco, o primeiro a fornecer água potável no Paraná, está sendo restaurado. Instalado na Avenida Manoel Ribas, em Curitiba, deve receber uma série de obras que visa deixá-lo igual ao que era em 1908, quando foi inaugurado no dia 24 de agosto, época em que a Província do Estado estava sob a responsabilidade de Vicente Machado.
Tombado pelo patrimônio histórico, o equipamento é composto por quatro elementos: o reservatório, a casa de manobras, o chafariz e o portão. Todos serão restaurados. Por causa da deterioração do local, a arquiteta Giceli Portela, responsável pela execução da obra, diz que o trabalho será minucioso, principalmente porque muitos equipamentos terão que ser refeitos especialmente para o projeto.
Albari RosaIgualReforma vai devolver ao velho chafariz o aspecto que tinha em 1908É o caso do chafariz, que, depois de passar por um longo período desativado, voltará a funcionar. Com a revitalização, o equipamento ganhará novas torneiras de bronze, semelhantes às que exibia na época da inauguração. As torneiras terão que ser moldadas e produzidas tomando como modelo as do chafariz da Praça Zacarias. Essa foi a saída encontrada pelos técnicos, já que no reservatório não há nenhum exemplar.
Detalhes de alvenaria de toda a construção, pedestais dos muros e toda a parte metálica do reservatório também serão remoldados para depois serem reproduzidos, segundo Giceli Portela. A medida terá que ser adotada porque muitos destes equipamentos estão quebrados ou mal feitos durante reformas anteriores.
A revitalização está sendo executada com recursos da iniciativa privada. São oito empresas de construção civil que compraram cotas de potencial construtivo da prefeitura. Em contrapartida elas recebem o direito de investir na construção ou ampliação em outras obras próprias instaladas na cidade. Ao todo, o projeto exigirá um investimento de R$ 490 mil.
As obras de recuperação tiveram início na segunda-feira passada, e a previsão é que estejam prontas em meados de dezembro deste ano. ‘‘Depois de concluído, ele ficará um cartão postal’’, diz a arquiteta.
Quando foi inaugurado, o Reservatório São Francisco foi visto como uma revolução pelos moradores da cidade, que estavam acostumados a utilizar água de poço ou dos pipeiros (carroças puxadas por cavalos ou burros) que transportavam pequenos reservatórios de água, vendida de casa em casa. Com o reservatório, os curitibanos passaram a receber o líquido nas residências ou em 28 torneiras que foram instaladas em pontos estratégicos da cidade. A água vinha direto dos mananciais da Serra do Mar, passando por uma canalização de 38 quilômetros.

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