Marcos NegriniFora do habitatMacacos saem da mata em busca de alimento suplementar e viram atração para os frequentadores do parqueO aumento do número de macacos que habitam as reservas florestais de Maringá, principalmente o Bosque 2, está preocupando a Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente. A falta de predadores naturais, a disponibilidade de alimentos e de abrigo fazem com que os macacos encontrem as condições ideais para a procriação. Para evitar que os animais saiam da mata em busca de alimentos nas casas próximas, a secretaria fornece frutas diariamente nas três reservas onde existem macacos soltos: o Bosque 2, o Horto Florestal e o Borba Gato.
O secretário Hamilton Cardoso explica que o fornecimento de frutas aos animais é um ‘‘mal necessário’’. ‘‘Com uma complementação alimentar os macacos deixam de sair da mata, mas encontram condições para procriar com uma frequência maior’’. Cardoso acredita que com o ritmo de procriação atual será preciso adotar um processo de seleção.
Apenas no Bosque 2, que fica mais próximo do centro da cidade, existem quatro bandos. São mais de 100 animais, que nas condições naturais da mata não encontram alimento suficiente. Em média, a prefeitura gasta R$ 2 mil por mês com alimentação suplementar.

Marcos NegriniProleAs condições ideais fazem aumentar a fertilidade dos animais: procriação aceleradaA bióloga Lídia Maróstica, responsável pelos parques municipais de Maringá, explica que a espécie de macaco que habita as reservas da cidade se alimenta basicamente de insetos, frutas silvestres e brotos de plantas. Como os moradores das proximidades ou mesmo os que visitam as reservas nos finais de semana levam outro tipo de alimento, os animais se habituaram a comer frutas, pão e até doce.
‘‘Os macacos são como crianças, que preferem as frutas e doces ao alimento ideal’’, diz Lídia. Diariamente a secretaria fornece frutas nas três reservas onde existem macacos para estimular os animais a comer dentro da mata.
O problema maior são os animais do Bosque 2. Um morador da região, que morreu há alguns meses, alimentava os animais todos os dias e acabou criando o hábito nos bandos de buscar alimentos nos limites da mata.
‘‘Depois da morte do morador, a situação ficou mais difícil, com os macacos atravessando a avenida em busca de alimentos, mas estamos conseguindo reverter isso’’, garante Lídia. A secretaria iniciou a substituição dos alimentos por frutas, fornecidas sempre no mesmo local onde o morador costumava tratar os animais.
‘‘Vamos então tentar manter os animais dentro da reserva para evitar a invasão das casas próximas ou mesmo acidentes com as pessoas que levam alimentos para os macacos’’, explica. Lídia diz que apesar dos animais estarem habituados com a presença de pessoas, existe risco de acidentes, principalmente com crianças.
Outra providência que a secretaria pretende tomar para melhorar o manejo dos animais é cercar as áreas do Bosque 2 e parte da mata do Borba Gato. Juntas as duas áreas têm 67 hectares. A proteção, segundo o secretário Hamilton Cardoso, não vai impedir que os animais saiam da reserva, mas pode limitar a influência das pessoas nos hábitos deles.

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