Reserva também explora mão-de-obra
Reserva também explora mão-de-obra
Além de crime ambiental, os policiais florestais e a fiscalização do IAP encontraram um outro tipo de irregularidade dentro da reserva ambiental: a exploração de mão-de-obra. A Folha conversou com dois funcionários de João Eni Pinto e Elto Luiz Dal Ponte. O roçador Miguel Alves Ferreira, 60 anos, trabalhava sem ganhar nada. Recebia de João Eni apenas pequenas quantidades de arroz e feijão para se alimentar. Ontem reclamava que o estoque de comida estava no fim e fazia planos para ir embora. Comovidos com a miséria do roçador, policiais e fiscais não o autuaram.
Giovani de Paula Bandeira, 13 anos, que trabalha para Elto Dal Ponte, disse que ganhava R$ 50,00 a cada duas semanas. Ele cuida da porteira da chácara e tinha a responsabilidade de levar cavalos e burros até os locais de corte das árvores nativas. O menino relatou que caminhava cerca de quatro quilômetros para conduzir os animais. Ele revelou ainda que dois dos quatro homens que fugiram da polícia eram seus irmãos. Justificou sua presença na área alegando ajudar a família que mora em Campina Grande do Sul.
Vou voltar a estudar de novo que eu ganho mais. Vou ter que pegar um serviço mais leve, reclamava o menino. O mesmo sentimento era o de Miguel Alves Ferreira. Junto com o filho Sebastião Franco, 38 anos, que tem problemas mentais, Ferreira residia num pequeno barraco de madeira com chão batido e coberto de palha. Só trabalho por comida. O Joeni não me dá dinheiro, assinalou. O roçador disse que trabalhava na área há quatro meses.
Ferreira vive em condições subumanas. Ele dorme num forro improvisado do barraco. Uma mesa, que virou cama, é usado pelo filho Sebastião para descansar. O único meio de combater o frio que faz na reserva é um rudimentar fogão à lenha. A água consumida vem da terra e as necessidades fisiológicas de pai e filho são feitas no próprio matagal. Revoltado com a situação, ele torcia para que o patrão fosse punido. Quem sabe agora ele aprende. Sempre fui feito de bobo, disse. (D.V.)





