Reserva Indígena do Apucaraninha realiza primeira formatura
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Ana Paula Nascimento<BR>Reportagem Local 
Tamarana Hoje é dia de festa na Reserva Indígena do Apucaraninha, em Tamarana (63 km ao Sul de Londrina). Quarente e sete índios caingangues irão receber certificados de conclusão de ensino fundamental e médio. Desse total, 14 já estarão aptos para prestar vestibular. Desde 1997, o Projeto Educação Reviver Indígena (Peri) vem sendo realizado em seis áreas indígenas paranaenses e esta é a primeira turma formada com ensino aplicado totalmente na própria aldeia, sem depender da escola formal.
O projeto é coordenado pela Associação Projeto Educação do Assalariado Rural Temporário (Apeart), com convênio junto ao governo do Estado que, para este ano, reduziu o volume de verbas, possibilitando apenas a realização dos cursos de 1ª a 4ª série. Desenvolvemos uma educação diferenciada, que valoriza a cultura e língua indígenas, respeitando o ritmo e tempo de aprendizagem deles, destacou uma das coordenadoras do projeto, Gisélia Duarte Dias. A reserva tem cerca de 1.400 índios e ocupa área de 5.554 hectares.
Osias Pater não esconde o orgulho de concluir o ensino médio. Com 24 anos, Pater sonha em ser advogado e vê com bastante lucidez a situação do índio no Brasil. O índio se obriga a entrar no ritmo do branco porque é a única maneira de lutar e garantir seus direitos, afirmou.
No primeiro vestibular indígena, realizado em fevereiro deste ano, em Guarapuava, Pater concorreu a uma vaga na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em sexto lugar, não foi aprovado pois apenas três vagas foram disponibilizadas. Já sua tia Gilda Kuitá, três de seus filhos e uma nora foram aprovados nas universidades estaduais de Maringá e Ponta Grossa.
Cada vez mais o índio está buscando seu espaço e o objetivo é transformar o conhecimento adquirido nas universidades em benefício direto para a comunidade indígena. Temos orgulho da nossa origem, ressaltou. Pater também criticou a falta de estrutura para a continuidade do ensino. No ano passado, uma lei estadual determinou a reserva de três vagas por universidade estadual paranaense para integrantes de sociedades indígenas, totalizando 15 vagas. A lei foi um bom começo, mas precisamos avançar porque há problemas de transporte, manutenção do índio na cidade, custeio dos materiais necessários, criticou.


