Tamarana – Hoje é dia de festa na Reserva Indígena do Apucaraninha, em Tamarana (63 km ao Sul de Londrina). Quarente e sete índios caingangues irão receber certificados de conclusão de ensino fundamental e médio. Desse total, 14 já estarão aptos para prestar vestibular. Desde 1997, o Projeto Educação Reviver Indígena (Peri) vem sendo realizado em seis áreas indígenas paranaenses e esta é a primeira turma formada com ensino aplicado totalmente na própria aldeia, sem depender da escola formal.
O projeto é coordenado pela Associação Projeto Educação do Assalariado Rural Temporário (Apeart), com convênio junto ao governo do Estado que, para este ano, reduziu o volume de verbas, possibilitando apenas a realização dos cursos de 1ª a 4ª série. ‘‘Desenvolvemos uma educação diferenciada, que valoriza a cultura e língua indígenas, respeitando o ritmo e tempo de aprendizagem deles’’, destacou uma das coordenadoras do projeto, Gisélia Duarte Dias. A reserva tem cerca de 1.400 índios e ocupa área de 5.554 hectares.
Osias Pater não esconde o orgulho de concluir o ensino médio. Com 24 anos, Pater sonha em ser advogado e vê com bastante lucidez a situação do índio no Brasil. ‘‘O índio se obriga a entrar no ritmo do branco porque é a única maneira de lutar e garantir seus direitos’’, afirmou.
No primeiro vestibular indígena, realizado em fevereiro deste ano, em Guarapuava, Pater concorreu a uma vaga na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em sexto lugar, não foi aprovado pois apenas três vagas foram disponibilizadas. Já sua tia Gilda Kuitá, três de seus filhos e uma nora foram aprovados nas universidades estaduais de Maringá e Ponta Grossa.
‘‘Cada vez mais o índio está buscando seu espaço e o objetivo é transformar o conhecimento adquirido nas universidades em benefício direto para a comunidade indígena. Temos orgulho da nossa origem’’, ressaltou. Pater também criticou a falta de estrutura para a continuidade do ensino. No ano passado, uma lei estadual determinou a reserva de três vagas por universidade estadual paranaense para integrantes de sociedades indígenas, totalizando 15 vagas. ‘‘A lei foi um bom começo, mas precisamos avançar porque há problemas de transporte, manutenção do índio na cidade, custeio dos materiais necessários’’, criticou.

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