Requião teme criação de autarquia da água
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quinta-feira, 15 de abril de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O governador Roberto Requião (PMDB) criticou ontem, em Londrina, a proposta levantada pelo Comitê Municipal de Água e Esgoto de criar uma autarquia para gerenciar o serviço no Município. Em seu entendimento, o órgão seria uma ''agência reguladora'', que abriria caminho para uma possível privatização.
''Quero deixar aqui minha preocupação. Quando uma empresa é pública, seja municipal ou estadual, não precisa de agência. Agência é instrumento de facilitação da privatização, e água não pode ser objeto de exploração de grupos privados'', atacou. Ao mesmo tempo em que expressou seu descontentamento com a proposta, o governador afirmou que o prefeito Nedson Micheleti (PT) havia lhe garantido que compartilhava da mesma opinião. ''O prefeito pensa como eu. Mas ele que ponha freio nessa conversa de agência, porque transformar o sistema de água de Londrina em uma empresa privada está na contramão'', completou.
A idéia discutida pelo Comitê, durante reunião anteontem, é a implantação de uma autarquia para fiscalizar o serviço de água e esgoto em Londrina, dando maior poder de decisão ao Município. O presidente do comitê e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, explicou ontem que não se trata de uma agência reguladora, mas de uma entidade que vai fiscalizar o contrato com a nova prestadora do serviço. ''Quem hoje define se a planilha da empresa corresponde à verdade?'', exemplificou, para justificar a criação da autarquia.
Sella ressaltou que o órgão seria formado por agentes públicos. ''Poderia ser a própria CMTU ou a Secretaria de Meio Ambiente, por exemplo''. De acordo com o presidente, ontem mesmo o governador disse a Micheleti que apoiava a idéia, depois de entender que não se tratava de uma agência.
Quanto à municipalização, Requião defendeu que a prefeitura mantenha o contrato com a Empresa de Saneamento do Paraná (Sanepar), colocando uma cláusula que garanta a manutenção pública do serviço. ''Se a Sanepar for privatizada, o Município deverá revogar o contrato''.
Ontem a Sanepar assinou, junto com o governador, a ordem de serviço para ampliação do sistema de abastecimento de água em Londrina. Entre os empreendimentos previstos, com investimento de R$ 4,7 milhões, está a instalação de dois reservatórios, nas regiões Norte e Leste da cidade.
No Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte), a Sanepar pretende implantar um reservatório enterrado com capacidade para 3 mil metros cúbicos, feito em concreto armado. O bairro vai abrigar também duas elevatórias e uma adutora de água tratada. No Jardim Gaion (Zona Leste), serão instalados um reservatório semi-enterrado de 4,6 mil metros cúbicos, o chamado Reservatório Santos Dumond, mais duas elevatórias.


