Requião reinaugura Educandário
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Numa cerimônia que reuniu o governador Roberto Requião, cinco secretários de Estado e mais de uma dezena de autoridades estaduais e municipais, foi reinaugurado ontem o educandário de Londrina, rebatizado agora de Centro de Sócio-Educação. A unidade voltada para atendimento à adolescentes infratores que cumprem medidas em regime de internamento diminuiu sua capacidade dos originais 80 para 61 e ainda precisa de adequações pontuais.
Mas a expectativa é que a partir da próxima semana comece a receber os primeiros internos com uma nova doutrina de atendimento, voltada para recuperação e ressocialização. A unidade foi inaugurada em julho do ano passado mas só acumulou problemas rebeliões, fugas e reclamações de educadores e especialistas que culminaram com a intervenção do Ministério Público e na necessidade de uma reforma completa do prédio ao custo de R$ 488 mil.
Agora, com educadores mais bem treinados e o prédio e alas reestruturados, a esperança é de que o centro se transforme em uma instituição-modelo para outras cidades. Criticando a atual política econômica neoliberal brasileira, que não pára de produzir mazelas sociais, Requião comentou que a instituição gerará um custo de R$ 4,5 mil/mês por interno e que espera que todo esse investimento resulte na eficiência do trabalho.
O secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, padre Roque Zimmerman, destacou que ainda faltam adequações citou as grades dos solários e a posição dos chuveiros nas celas mas garantiu que tudo será feito nos próximos dias. Os primeiros a ocuparem seus espaços serão internos que estão no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), que deverá ser parcialmente desativado para que também possa passar por uma reforma anunciada ontem pelo Governo. O restante virá de delegacias da região.
Zimmerman garantiu que as condições de segurança da unidade são as mais próximas do ideal. Ele ressaltou o trabalho de reestruturação da equipe de educadores e admitiu que na primeira inauguração o treinamento dos funcionários foi insuficiente. ''Penso que tudo aquilo que poderia ser feito, imaginado e pensado foi feito'', assegurou. E disse que aprendeu com os problemas: ''Recebemos uma obra inadequada, acreditamos que fosse melhor do que era e daqui para frente vamos fazer as coisas melhor feitas''.
A diretora da unidade, Laura Okamura, destacou que a forma de atuação está assentada em três pontos: em uma proposta pedagógica diversificada em oficinas ocupacionais, cursos e escolarização; numa proposta funcional de uso da unidade; e no alinhamento conceitual entre os funcionários, que terão uma visão filosófico-pedagógica do trabalho. ''Vamos sim ter problemas porque são adolescentes que a família, a polícia e a sociedade não conseguiram dar conta. Mas nossa função aqui é justamente resolver problemas'', observou. Ela advertiu que antes de começar a receber os internos os funcionários precisam se familiarizar com o prédio, mas garantiu que tudo estará funcionando quando os primeiros adolescentes forem transferidos.
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, que assinou o termo de ajuste exigindo a reforma, destacou que, ''com certeza, o prédio não é mais um castelinho de chocolate''. Ela elogiou o empenho dos educadores que ''estão demonstrando comprometimento necessário para trabalhar com crianças e adolescentes''.


