Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou, ontem de manhã, que os professores das universidades estaduais que aderirem à greve terão cinco dias de salário descontados. Além dos três dias de paralisação, o governo também descontará os dois dias relativos ao descanso semanal remunerado.
Requião classificou a greve como ''um desafio desnecessário, uma razoável irresponsabilidade'', uma vez que, de acordo com ele, quem iniciou as discusões salariais da categoria foi o próprio governo. Para governador, o indicativo de greve é uma tentativa dos sindicatos em transformar o esforço do governo em conquistas próprias. ''Não vou tolerar essa molecagem'', afirmou. ''É uma perda de tempo que vai custar cinco dias aos professores'', disse.
O governador admitiu que ''tem gente realmente ganhando pouco'', principalmente na área administrativa das universidades. Mas, segundo ele, o assunto já está sendo discutido entre a Secretaria de Estado de Administração e sindicatos, e o governo já se comprometeu a corrigir os problemas salariais ao longo dos próximos anos. O governador afirmou que até a próxima semana o governo vai enviar à Assembléia Legislativa um projeto de lei que visa a equalização dos salários de todos os professores universitários do Estado.
''Nessa categoria, existem professores que ganham muito pouco e outros que ganham acima do que a lei permite'', afirmou o governador ao argumentar que os altos salários nas universidades ''têm origem em decisões dos conselhos universitários e dos reitores que, ao longo do tempo, concederam vantagens ao arrepio da lei.'' O governador disse ainda que ''não existem só professores no Estado e que muitas categorias do funcionalismo estão com salários defasados.'' ''Não posso permitir que uma só esgote todas as possibilidades de correção salarial das demais'', argumentou.
Para o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que apóia a categoria, as declarações do governado são de quem não conhece a realidade da categoria. Veneri enumerou uma série de problemas que os professores e servidores das universidades estaduais estão vivendo, como os oito anos sem reajuste, a perda de cerca de cem professores mestres e doutores por ano, falta absoluta de estrutura para alguns cursos, entre outros. O deputado lembrou ainda que no ano passado foi aprovada uma emenda na Assembléia Legislativa que destinava R$ 35 milhões para reajuste salarial dos professores este ano, porém o dinheiro nunca foi aplicado. (Colaborou Andréa Bordinhão)

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