Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) anunciou, na tarde de ontem, a intervenção do Estado na Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, no Litoral. O hospital, único da cidade a atender pelo Sistema Único de Saúde (SUS), está fechado há uma semana por causa de dificuldades financeiras. O decreto 3.111, assinado na tarde de ontem, prevê a intervenção pelo prazo de um ano ou até que a administração do hospital seja transferida para outra entidade ou retomada pela mantenedora, que é a Irmandade Santa Casa de Misericórdia.
Requião quer que a Universidade Federal do Paraná (UFPR) assuma a gestão do hospital, a exemplo do que já foi feito com o Hospital do Trabalhador, em Curitiba. O convênio foi com a Fundação da UFPR, a Funpar. A expectativa do governador é que a Santa Casa de Paranaguá volte a funcionar na semana que vem, mas ponderou: ''Vai depender da avaliação da Federal. Fechado não pode ficar.''
A parceria com a universidade, no entanto, até ontem, não havia sido oficializada ou sequer comunicada. O diretor-geral do Hospital de Clínicas (HC) da UFPR, Giovani Loddo, que acompanhava a solenidade onde Requião fez o anúncio da intervenção, foi pêgo de surpresa. O reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, que no final da tarde embarcava para Brasília, também foi surpreendido, mas disse que a instituição está sempre disponível a ajudar. ''A Santa Casa precisa de um processo de gestão que dê conta de viabilizar o hospital via SUS. Nós temos três que funcionam dessa forma'', avaliou. Além do HC e do Hospital do Trabalhador, a UFPR responde pela administração da Maternidade Victor Ferreira do Amaral, também em Curitiba.
Por meio do decreto, o governador deu prazo de 90 dias para o secretário de Estado da Saúde, Cláudio Xavier, apresentar um levantamento da situação financeira da Santa Casa de Paranaguá. Assegura, também, os repasses de recursos necessários para manutenção do hospital, respeitadas as leis orçamentária e de responsabilidade fiscal. Requião atribuiu, ainda, ao secretário a prerrogativa de controlar os repasses devidos pela Prefeitura de Paranaguá e solicitar os recursos da União.
O provedor da Santa Casa de Paranaguá, Olavo Muniz de Carvalho, ficou satisfeito com a decisão de Requião, até porque, desde o dia em que o hospital fechou as portas, ele defendeu a intervenção do governo como única alternativa para sua reabertura. A Santa Casa acumula uma dívida de, pelo menos, R$ 3 milhões.
Sobre as críticas à administração do hospital, Carvalho afirmou ver com naturalidade, já que, de fato, a instituição vem tendo problemas ao longo de sua história de 169 anos, e ele está há apenas seis meses à frente da provedoria. Carvalho defendeu, inclusive, que o governo faça uma auditoria nas contas do hospital para apurar se houve desvio de verbas.
A Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá atendia uma média diária de 250 pacientes no pronto-socorro. Por mês, totalizava cerca de 750 atendimentos, entre maternidade e hospital geral.

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