Requião ameaça prender agentes que iniciarem greve
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terça-feira, 07 de fevereiro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião afirmou ontem que não aceitará uma eventual greve dos agentes penitenciários, e determinou ao secretário da Justiça e Cidadania, desembargador Jair Ramos Braga, que mande prender os agentes que venham a aderir a uma possível paralisação. Requião afirmou, ainda, que a Polícia Militar (PM) já está preparada para assumir as penitenciárias no lugar dos agentes, em caso de greve da categoria.
Determinei ao novo secretário de Justiça que coloque na cadeia os agentes que quiserem anarquisar e inviabilizar o sistema penitenciário. Não vamos aceitar que os agentes, que são os mais bem pagos do país, façam greve tendo como suporte a perpetuação das horas extras, que podem levar o sistema a um sistema impraticável, disse. O governador deu o aviso à categoria, em solenidade realizada ontem de manhã, no Palácio Iguaçu, para a entrega de 249 viaturas à PM.
Os agentes ameaçam entrar em greve a partir de 1º de março, caso o governo assine um decreto, como vem anunciando, o qual acarretará em fim da realização de horas extras. Está marcada para dia 23 deste mês uma assembléia estadual.
Segundo Requião, o salário de R$ 2,7 mil dos agentes é um dos mais altos do País. Com horas extras, disse, alguns profissionais chegam a receber o dobro do vencimento, ficando com salários superiores ao de um procurador-geral o Estado.
O vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário (Sinssp), Valério S. Stabock, discorda das informações. O salário-base, segundo ele, é de R$ 550,00 e só chega a R$ 2,7 mil bruto, contabilizando vantagens obtidas pela categoria, como adicional de insalubridade. Com horas extras, segundo ele, um agente ganha no máximo R$ 2,8 mil líquido, contra R$ 7 mil ganhos pelo procurador-geral.
Stabock também confirmou o anúncio feito por Requião de que os agentes das penitenciárias de Londrina e Maringá estão mais mobilizados. Na reunião, eles inclusive demonstraram intenção de entregar os cargos, como chefe de segurança, sub-chefes e inspetores, em caso de corte das horas extras. As ameaças do governador não assustam o Sindicato. Elas só provam que o governador está preocupado com o movimento, avaliou Stabock.
Na solenidade, o governo entregou 249 viaturas novas que serão utilizadas no patrulhamento da PM de 199 municípios com mais de três mil habitantes. Dessas, 10 são para Londrina e seis para Maringá. Também foram entregues ontem 3.989 pistolas calibre .40 para uso da PM.


