Curitiba O governo do Estado decidiu partir para o enfrentamento contra as entidades que representam os delegados da Polícia Civil no Paraná. Ontem, durante a reunião semanal com o secretariado, o governador Roberto Requião (PMDB) e o secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, ameaçaram entrar na Justiça contra a Associação e o Sindicato de Delegados de Polícia (Adepol e Sidepol). Na semana passada, as duas entidades emitiram uma nota conjunta com duras críticas ao modo como a segurança pública vem sendo conduzida no Paraná.
Na nota, as entidades criticaram o decreto de Requião que autorizou sargentos e subtenentes a assumirem funções administrativas nas delegacias do interior que não tenham um delegado de carreira lotado. Para a presidente do Sidepol, Valéria Padovani de Souza, a medida causa animosidade entre as polícias Civil e Militar, pois os civis seriam subordinados aos militares. Na nota, a Adepol convoca os delegados parar ''dar um basta, mesmo que seja à força, nesta incompetência que se instalou no poder'', qualificando os responsáveis pela Segurança como ''amadores e irresponsáveis''.
Na reunião com o secretariado ontem, Delazari criticou o tom e o conteúdo da nota divulgada pelas entidades. De acordo com Delazari, o decreto prevê exatamente o contrário do que alegam Sidepol e Adepol: os policiais militares é que estariam subordinados aos delegados de comarcas maiores. Tanto Delazari como Requião afirmaram que pretendem questionar a nota das entidades na Justiça, reforçando a mensagem da quinta-feira passada, quando Delazari qualificou a sugestão da Adepol de usar a força como uma ''incitação ao crime''. Requião afirmou que a atitude seria de policiais não interessados no combate ao crime. ''Só quando extirparmos a banda podre a polícia do Paraná voltará a ser a melhor do Brasil'', afirmou.
A presidente do Sidepol desqualificou a proposta do governo de interpelar criminalmente os sindicatos. ''Quando falamos que vamos usar a força, não nos referimos à violência, mas sim à unidade da categoria. Não queremos fazer greve, nem nada nesse sentido. Queremos discutir o problema, e temos o interesse em dialogar com o governo para resolver essa situação'', afirmou Valéria.
Além das críticas à Adepol e ao Sidepol, Delazari apresentou os números da secretaria de Segurança, destacando a defasagem de quadros nas duas polícias no governo anterior.

mockup