Ricardo AlmeidaMeninas dividem as tarefas domésticas e têm horário para namorarAberta há 4 anos a República de Meninas Nova Esperança já recuperou 97 meninas da vida nas ruas de Curitiba. O abrigo é mantido com recursos da prefeitura e a proposta é torná-lo um lar para as adolescentes, que recebem alimentação, atendimento médico, odontológico e psicológico, passam a frequentar a escola, fazem cursos profissionalizantes e são encaminhadas ao trabalho a partir dos 14 anos.
As meninas chegam à República por intermédio do programa SOS Criança, mantido pelo município e pelo Juizado da Infância e da Adolescência. Atualmente 18 meninas vivem na casa, que tem capacidade para receber 20 menores, com idade entre 7 e 18 anos.
‘‘Quando uma menina chega na casa, ela é observada por um período de 30 dias a fim de se encaixar na rotina. Durante este período tentamos criar o vínculo da confiança e da amizade. A partir destes laços, começamos a fazer o levantamento da história da vida escolar, pessoal e familiar’’, diz Sandra Dolores de Paula, diretora do abrigo.
O próximo passo, de acordo com Sandra, é resgatar a auto-estima e a feminilidade da menina. ‘‘A maioria das garotas chega aqui com uma história de vida muito pesada. Por isto elas não se valorizam e este é um dos grandes desafios das educadoras. As meninas precisam aprender a gostar do seu corpo e a preservá-lo saudável e bonito’’, diz.
Passado o período de adaptação as meninas começam a conquistar liberdade para se divertir. ‘‘A partir dos 15 anos é permitido o namoro. Elas podem trazer os meninos aqui às quartas-feiras, das 19 às 21 horas. Aos sábados, o horário é das 16 às 22 horas e aos domingos das 16 às 21 horas’’, diz Sandra.

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